A verdade da caridade é o melhor que os cristãos têm a oferecer

atequese quaresmal A penúltima catequese quaresmal de D. António Francisco (3 de Março) centrou-se na “promoção da dignidade humana a partir da dignidade de Deus”. Quando o cristão diz “Eu creio”, está a dizer “Eu vejo com um olhar novo” e isso reflecte-se na procura, respeito e promoção da dignidade humana, que radica no acto criador de Deus. E tem como consequência a criação de uma cultura, a qual, “mais do que os regimes políticos ou os modos de produção, define a sociedade em que vivemos”. “A verdade por excelência é a verdade da caridade”, afirmou o Bispo de Aveiro, citando o cardeal Lustiger, falecido Bispo de Paris. “O grande contributo que os cristãos têm a dar à sociedade é esta verdade da caridade”, acrescentou D. António Francisco.

Concretizando a “verdade da caridade”, o Bispo de Aveiro delineou três formas de estar perante os pobres: há os que se aproximam deles através de gestos de promoção e da assistência às suas necessidades imediatas; há os que se põem ao lado deles contra as estruturas políticas, ou outras, geradoras de exclusão; e há os que deles se aproximam, “silenciosos, companheiros e contemplativos, ao lado dos pobres e com os pobres”. Esta terceira atitude de querer “conhecer o nome e o ser”, de “gastar tempo com o pobre”, de ter por ele “uma espécie de veneração” é a mais profética. Mais: “Os pobres evangelizam-nos”. Mas há que distinguir: evangelizam-nos não pelos seus valores e atitudes, por vezes tocados pela mentira e injustiça, mas “porque, no seu abatimento, os pobres nos impelem a voltarmo-nos para aquele que nos evangeliza, Jesus Cristo”.

D. António realçou a “Ceia com Calor” (ida de voluntários das Florinhas do Vouga ao encontro dos sem-abrigo de Aveiro, à noite, com um lanche quente) como iniciativa de “procura da dignidade perdida”, bem como a atitude de uma responsável de um lar de idosos que afirmou: “Estes são nossos”, referindo-se aos 20 idosos acamados que a instituição acolhe, ignorados pelas suas famílias.

Na segunda parte da catequese, D. António Francisco apresentou o testemunho de Maria da Anunciação Filipe. Natural do Troviscal (9-04-1940) e membro das Auxiliares do Apostolado, São Filipe morreu no atentado palestiniano ao avião da PanAm, em Roma, no ano de 1971, quando viajava para Teerão. São Filipe, com outra portuguesa e uma belga, respondia ao apelo do Bispo de Teerão, que precisava de gente para trabalhar num lar de idosos e num orfanato de crianças. “De Teerão darei mais notícias”, escrevera ao partir. Não deu; mas da capital iraniana chegou a comoção de árabes e cristãos, que rezaram juntos por aquela que partira ao seu encontro.

A catequese terminou com a leitura de uma oração escrita por uma reclusa do Estabelecimento Prisional de Aveiro (EPL), que chegou a D. António Francisco e aos participantes desta catequese através da Ir. Louise Bonnet, voluntária no EPL. A oração está reproduzida na última página desta edição.

J.P.F.