Ação Católica Rural defende cultura do “dar e receber”

A Ação Católica Rural (ACR) defende que só a adoção de uma verdadeira “economia solidária”, baseada na atenção ao próximo, permitirá ajudar o país a ultrapassar as atuais dificuldades financeiras e sociais.

Nas conclusões do encontro nacional de animadores, realizado em Albergaria-a-Velha, no fim de semana passado, ficou claro que “na sociedade atual, as pessoas estão desprotegidas e inseguras” e “perante este panorama, todos precisam dar e receber ajuda” – pode ler-se no comunicado da ACR. O evento teve como pano de fundo o tema “Economia de Todos e para Todos” e reuniu cerca de 70 militantes e simpatizantes deste movimento apostólico.

Sob a orientação do professor Rogério Roque Amaro, ligado ao Departamento de Economia do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), os trabalhos assentaram na busca de soluções para os problemas atuais.

Segundo o docente, a economia solidária “vai muito para além do problema económico”, focando-se na “importância da pessoa” e no “bem comum”. Apesar deste sistema privilegiar bastante o voluntariado, isso não quer dizer que tenha de ter “menor qualidade”, alertou aquele responsável.

Este seminário permitiu ainda aos participantes avaliarem “novos caminhos, de modo a formar uma sociedade mais justa e solidária”. Em cima da mesa ficou sobretudo um desafio para que cada um, dentro da sociedade, possa “dar-se” ao próximo, num gesto de “amor”, marcando a diferença perante as leis do Mercado, onde a lógica é “dar para receber”, e do Estado, onde impera o “dar por dever”.