“Se a instituição é necessária, também com a sua dimensão política, segundo a lógica própria da encarnação, então ela não será outra coisa que um serviço, um conjunto de ministérios” (M.D. Chenu).
Na medida em que a Fé nos torna adultos, isto é, amadurecidos, conscientes do que somos chamados a realizar, tornamo-nos em última instância “críticos”. Para essa tarefa o discernimento é a palavra-chave. Discernir os motivos do agir coerente, do sentir indigente, encontrar prazer ao alimentar a Fé com inteligência. Neste processo que nos molda e envolve a nossa personalidade (pessoal e comunitária), quanto mais aprendemos a consentir, mais o nosso compromisso será estimulado pelo Amor ao Mistério que nos conquista.
Esta estranha, mas acessível, forma de conhecimento, que é a Fé para os parâmetros utilitários de uma eterna modernidade. É exercida em todos os domínios do humano, prolonga-se para além de todas as previsões. Se, portanto, eu acredito e sou cristão, não é porque acredito em um Deus-Deus, como uma construção ideológica, em contraste com a história comum onde se processa a autonomia do ser humano. Partilhamos as surpresas do Deus-História, aí reencontra-se a presença-humana-de-Deus. Esse é o denominador comum: diante de posições; validando constituições; impelindo inspirações e dinamismos.
Seremos pobres na Liberdade. Livres no desapego. Ricos na Graça. Nossa vida será ocupada com um único pensamento, um único desejo de amar, para que então possamos amar não por causa do mérito, nem por causa da concorrência, nem por causa da virtude, nem por causa da santidade. Mas por causa dessa Fé Ti, Deus-trino-na-história, Deus desnudado, encarnado e inteiramente criativo. Só deste modo. Só nesta companhia. Só com esta natureza e cumplicidade. Intimidade de pura aceitação. Apenas ensejos e necessidades. Compromisso real e concreto pela Fé.
