Uma pedrada por semana O líder parlamentar do PS, Alberto Martins, parece querer resolver os assuntos, discutidos ou em discussão, que exigem profundidade nos conceitos e seriedade na reflexão, com o ar superior de quem tem a força da maioria PS. Diz, tanto das intervenções do Presidente da República que não lhe agradam, como de quaisquer outras que não afinem pelo seu diapasão, com o ar de quem sacode, que “temos visões diferentes dos problemas” e, portanto, a maioria manda.
Ouvi há dias, pela rádio, um socialista conhecido e liberto da disciplina mutiladora da mente, Henrique Neto, que o governo do seu partido e o seu maior responsável governam para o PS e não para o país, e que a força está no “tem que ser assim” sem ouvir a oposição e os militantes e órgãos do PS. Se até os de casa já assim pensam e dizem, parece ser tempo de acordar para um novo modo de fazer política, com um serviço a todos.
Li, atentamente, o “Projecto-Lei Nº 660/X que estabelece o regime de aplicação da educação sexual em meio escolar”, da iniciativa da Juventude Socialista. Um exemplo acabado da necessidade de se dialogar sobre o que se deve entender por educação da sexualidade, cientes da problemática que o tema exige e comporta. Sem isto, será sempre a pobreza conhecida, as tensões sociais inevitáveis, e, por fim, mais um triunfo da maioria que julga ter o direito de ditar, em matéria tão consequente e séria, para que todos depois cumpram e calem. Domina o pensamento unidimensional nos objectivos, nos conteúdos, nos conceitos, nos caminhos a prosseguir, na visão da realidade, nos direitos em causa. As maiorias democráticas não criam valores e acabam por ser a negação da democracia. Assim vamos, a passos largos, para o vazio pessoal e social. As crianças e os jovens são o material adequado para este projecto.
