A opinião pública é facilmente manipulável por dois equívocos a respeito da educação de iniciativa privada ou cooperativa: a confusão dos custos e o tipo de população escolar abrangida. Poderá dar aspecto de fazer “chover no molhado”, mas nunca é demais tentar abrir os olhos às pessoas e arejar a informação.
Esgrimem-se os quantitativos. Como nas manifestações, nas greves, nas estatísticas do desemprego…, os números diferem consoante a fonte donde provêm. Aqui, porém, há estudos localizados e concretos que desmentem as afirmações de um secretário de Estado. As próprias cifras fornecidas à OCDE pelo Governo deixam a claro que, no ensino particular e cooperativo, nos últimos tempos, cada aluno custa anualmente menos mil euros ao erário público. São dados do próprio Governo!
Também não há margem para dúvidas quanto ao tipo social de alunos que frequentam essas escolas, na maioria dos casos, sobretudo nos Colégios com “contrato de associação”. É fácil de verificar: basta ir ao terreno, às escolas ou às povoações donde vêm os estudantes; e a verdade ressalta à vista. Quem não estiver de má fé poderá aferir dessa verdade pelos seus próprios meios. Arriscamos mesmo dizer que, não raro, esta é a única possibilidade de poderem os pobres escolher escola que lhes pareça de qualidade.
Não restam dúvidas de que o problema é ideológico e político. Pretende-se impor, a pretexto da “equidade”, um modelo único de ensino (educação?), de inspiração agnóstica, relativista, economicista, redutora de uma visão da pessoa humana que a forme como cidadão pró-activo e crítico. Despojar o estudante de humanidade e moldá-lo como ser tecnológico e mercantilista – é o objectivo! Com as consequências que já experimentamos, mas que serão trágicas em futuro próximo.
Seria possível um horizonte educativo de esperança, se se desejasse conjugar o esforço de um “sistema público integrado”, no seio do qual escolas estatais e privadas ou cooperativas seriam livres de competir com base nos seus “planos de oferta formativa”, garantindo assim aos pais uma efectiva possibilidade de escolha da escola que lhes pareça melhor para os seus filhos.
E ninguém ousaria dizer que esta proposta não seria verdadeira expressão e fomento de democracia, vantagem para esta nossa democracia que tem dificuldade em se afirmar, como sugere Luigino Binanti.
