Pai nosso, que és amor,
que o teu amor perdoe uma vez mais
o que em mim é indigno de ti!
Venha o teu Reino, porque o nosso
nunca deixou de ser ruínas e massacres.
Seja feita a tua vontade e Tu sejas bendito
pelo amor que me deste por ti.
Dá-nos, hoje, o pão de que necessitamos:
mas quando encontrarei
nos lábios da alma o gosto que Tu tens?
Perdoa os nossos pecados,
que nos tornam cegos e surdos.
Ensina-nos a perdoar as dívidas
daqueles que nada nos devem que não seja teu!
Poupa-nos as provas
e guia-nos por sendas fáceis!
Tu conheces a nossa fraqueza,
e como é duro morrer
e quanta pena nos custa
ceder-te um pouco daquele nada
com que fazes tantas coisas!
E livra-nos do mal!
Ó meu Deus, que sejas bendito
por seres quem és
e não um outro qualquer!
E deixa-me contemplar mais um dia,
antes que me arraste, o oceano sem margens
desta alegria que vem de ti!
André Frossard
André Frossard (1915-1995), ensaísta e jornalista, descendente de protestantes e judeus, converteu-se ao catolicismo no dia 8 de Julho de 1935. Depois da II Guerra Mundial, em que foi prisioneiro dos nazis, desenvolveu uma intenta carreira de jornalista e escritor, claramente marcada pela inspiração religiosa. Em 1987, Frossard foi eleito para a Academia Francesa. João Paulo II condecorou-o em 1990.
