Nas instalações das Caves Aliança, em Sangalhos, abriu ao público o Aliança Underground Museum, o quarto museu fundado por Joe Berardo em Portugal, após os de Lisboa, Sintra e Funchal.
O Aliança Underground Museum alberga um vasto conjunto de peças que se dividem em sete secções temáticas: Colecção de Arqueologia, Arte Etnográfica Africana, Escultura Contemporânea do Zimbabué, Colecção de Minerais, Colecção de Fósseis, Azulejaria e Cerâmica das Caldas, todas elas expostas em espaços invulgares para um museu: os enormes corredores e armazéns subterrâneos de caves vinícolas.
Todo o espaço agora ocupado pelo Aliança Underground Museum foi trabalhado para receber o museu, embora grande parte do mesmo mantenha a sua função original de caves, com milhares de garrafas e barris com vinhos, espumantes e aguardentes, numa harmonização perfeita entre vinho e arte. No exterior, nomeadamente na fachada principal do edifício, há arte, com destaque para azulejaria contemporânea.
Na inauguração do museu, Joe Berardo, que é também proprietário das Caves Aliança, dirigindo-se ao secretário de Estado da Agricultura e Pescas, Luís Vieira, Joe Berardo pediu para o governo “ajudar outras pessoas” – não é o seu caso, realçou – “a promover a cultura”. Eu acredito que o futuro da nossa pátria e do nosso país se prende com melhorarmos a Cultura, porque a Cultura é a melhor maneira de atrairmos gente com dinheiro”, disse, acrescentando que gostaria que “Portugal fosse um destino cultural”, onde se conciliasse cultura e arte com gastronomia e vinhos, como acontece em França.
Se a auto-estrada não “matou” a gastronomia bairradina, e se as pessoas continuam a “desviar os seus carros para virem aqui comer” é porque, como referiu Joe Berardo, é mesmo uma das melhores gastronomias do país. Por isso, solicitou ao Governo para “promover turisticamente” esta região, onde incluiu o Buçaco que, em sua opinião, “é uma das maravilhas que temos, com uma história fantástica”.
Para Joe Berardo, “Portugal não tem limites para apostar na Cultura”, afirmando-se disponível para “apostar na qualidade, para trazer pessoas a Portugal”, esperando que “os políticos transformem Portugal num centro cultural do mundo”.
O secretário de Estado da Agricultura e Pescas, Luís Vieira, enalteceu este “casamento fantástico entre o vinho e a Cultura”, referindo que a par das obras de arte expostas no museu também viu “algumas outras obras de arte que são os vinhos que aqui estão”, porque “o vinho é cultura, é gastronomia, é conhecimento e é também economia”. Iniciativas como o Aliança Underground Museum criam valor na promoção dos vinhos portugueses, que “na última década evoluíram muito”. “Hoje, o vinho é um dos produtos de excelência da agricultura portuguesa e, cada vez mais, os nossos vinhos são premiados em todo o mundo”, sublinhou Luís Vieira.
“Visita” às colecções
A Colecção Arqueológica, que abre este circuito de visita com cerca de um quilómetro e meio de comprimento, apresenta conjuntos de figuras em terracota, com cerca de 1500 anos, provenientes da antiga cultura Bura-Asinda-Sika, do Níger, em África.
Segue-se a secção de Arte Etno-gráfica Africana que é composta por estátuas, máscaras, armas, artigos de prestígio, joalharia, utensílios do quotidiano, entre outros, das diversas culturas tradicionais de África.
A Colecção de Minerais apresenta centenas de amostras minerais, a maioria proveniente de Rio Grande do Sul e de Minas Gerais (no Brasil), como ametistas, calcites, moscovites, quartzos (com destaque para os cor-de-rosa que “rivalizam” com os vinhos rosés), e turmalinas.
Na Colecção de Fósseis, património de grande valor paleontológico, pontificam peças com mais de 20 milhões de anos, entre as quais, rinocerontes, conchas, plantas, peixes, dentes e madeira petrificada oriunda da Argentina.
Na secção de Azulejaria encontram-se painéis datados desde o século XVIII até à actualidade, quase todos de origem portuguesa e francesa, pertencentes à maior colecção privada de azulejaria.
A secção de Cerâmica das Caldas da Rainha possui um enorme e diversificado espólio do que melhor foi produzido por Rafael Bordalo Pinheiro e Manuel Cipriano Gomes nas célebres cerâmicas das Caldas da Rainha.
O próprio circuito é, em si mesmo, um museu vivo sobre o funcionamento das caves, nomeadamente quanto à forma como se guardam e envelhecem os vinhos, espumantes e aguardentes, com uma pequena secção museológica de alambiques.
No percurso final da visita, já de regresso à superfície, está exposto parte do espólio de pintura das Caves Aliança, com obras de diversos artistas das últimas décadas.
Anadia capital
da museologia vinícola
O concelho de Anadia que já possuía o Museu do Vinho Bairrada em Anadia, acolhe agora o Aliança Underground Museum, facto que o presidente do município, Litério Marques, enaltece, ao afirmar: “Aqui, em Sangalhos, no coração do concelho, nestas caves que já existiam, surgiu esta ideia do comendador Joe Berardo de criar este museu que nunca imaginei que viesse a ter esta importância. Podemos dizer que com o Museu do Vinho e agora com este museu, Anadia passará a ser o centro museológico do vinho neste maravilhoso país que é Portugal”.
Museu engrandece
a Região Centro
Para o presidente da entidade Turismo Centro de Portugal, Pedro Machado, o Aliança Underground Museum é “algo fantástico”, porque permite criar na Região Centro um “produto compósito”. Estamos perante um museu vivo, muito enraizado na cultura e na economia da Bairrada, como é esta reposição das pipas das aguardentes, mas mais do que isto, com esta marca de grande nível na cultura que é a marca Berardo. É uma exposição fantástica com que o comendador Joe Berardo nos surpreendeu. Com certeza, este museu irá atrair milhares de pessoas à Região Centro”, declarou.
Cardoso Ferreira
