Alimentação saudável previne diabetes e doenças cardiovasculares

Não há vacina para prevenir as doenças cardiovasculares, mas a alimentação pode desempenhar um papel relevante na prevenção desse tipo de doenças, revelou Rogério Leitão, conhecido médico cardiologista aveirense membro da Liga dos Amigos do Coração (de Aveiro), na sessão “A importância de uma alimentação saudável”, que evocou o Dia Mundial da Alimentação, realizada no salão da sede da Junta de Freguesia de Santa Joana.

Em Portugal, as doenças cardiovasculares são responsáveis por cerca de metade das mortes ocorridas anualmente. No entanto, Rogério Leitão considerou que o número de mortes pode ser reduzido se houver uma alimentação pobre em sal e em gorduras (que “entopem” as artérias), associada ao controle de factores de risco (tensão arterial, colesterol, glicemia, obesidade e ansiedade), à eliminação do tabagismo e do alcoolismo e ao aumento da prática da actividade física.

Hoje, a ciência permite a realização de diversos tipos de exames que ajudam a detectar e remover (quando possível) a obstrução das artérias. Por isso, Rogério Leitão realçou que “a evolução da cardiologia é promissora, mas a prevenção é essencial”. Nessa prevenção, a alimentação desempenha um papel fundamental.

Também muito associada à alimentação anda a diabetes, patologia típica dos países com uma alimentação bastante calórica, rica em açúcares e em gorduras. Sobre a importância da alimentação no tratamento da diabetes, falou Isabel Albuquerque, nutricionista no Hospital Infante D. Pedro (de Aveiro).

Cuidados para os diabéticos

Esta especialista em nutrição e em diabetes não se mostrou adepta do consumo dos vulgarmente designados alimentos para diabéticos, porque continuam a ser doces como os congéneres “normais”, até porque a sacarose foi substituída por outro tipo de adoçante. Além disso, esses alimentos habitualmente são mais caros do que os “normais”. Por isso, considerou que o diabético pode comer a maioria dos alimentos “normais”, só que deve ter em atenção as quantidades e variedades recomendadas para o seu próprio caso, uma vez que a dieta do diabético é diferente de doente para doente.

Isabel Albuquerque chamou a atenção dos diabéticos para a necessidade de tomarem várias refeições por dia, começando por um bom pequeno-almoço, seguido por um “lanche” ligeiro a meio da manhã, e o almoço. À tarde, dependendo do horário do jantar, o diabético pode tomar um ou dois lanches ligeiros. Após o jantar (e dependendo do horário deste), o diabético deve comer qualquer coisa ligeira antes de se deitar.

No que se refere aos alimentos, o diabético pode comer a maioria dos produtos usados na gastronomia tradicional portuguesa, incluindo fruta (sempre como sobremesa), desde que na quantidade recomendada, e com baixo teor de açúcar e gordura. Para além do controle da glicemia, Isabel Albuquerque recomendou o controle do colesterol, dos triglicerídeos, da obesidade e do sedentarismo, bem como uma atenção especial ao funcionamento dos olhos e dos rins.

Luciano Cipriano, nutricionista da Câmara Municipal de Aveiro, explicou a nova “roda dos alimentos” e as porções diárias recomendadas para cada grupo de alimentos, alertando para o facto dos doces não estarem incluídos nesta “roda” porque “não são necessários ao organismo”.

Nova Roda dos Alimentos

A nova Roda dos Alimentos é composta por sete grupos, com funções e características nutricionais específicas:

Cereais e derivados,

tubérculos – 28%

Hortícolas – 23%

Fruta – 20%

Lacticínios – 18%

Carne, pescado e ovos – 5%

Leguminosas – 4%

Gorduras e óleos – 2%

(Fonte: Ministério da Súde)