Alterações climáticas põem em causa vida humana na Terra?

Prof. Carlos Borrego alerta que a subida do nível do mar implica a transferência de populações e a proibição de construção em certas zonas do litoral.

Até 2100 a temperatura média aumentará entre 2,1 e 4,4 graus e nível do mar subirá entre 18 e 60 centímetros, referiu o professor Carlos Borrego, da universidade de Aveiro, na conferência “A gestão da biodiversidade num clima em mudança”, que proferiu na abertura das II Jornadas do Ambiente, Energias e Alterações Climáticas – A Biodiversidade, promovidas pelo Europe Direct – Centro de Informação de Aveiro.

Carlos Borrego afirmou que a redução da emissão de gases com efeito estufa e a mitigação das consequentes alterações climáticas depende de cada um de nós, e não dos governos e das empresas, porque, em Portugal, cerca de 71% das emissões provêem da produção de energia, grande parte da qual é usada para proporcionar conforto (climatização, iluminação e qualidade de vida nas habitações) e mobilidade (transportes particulares) ao cidadão. O restante 29% da emissão de gases com efeito é oriundo da agricultura (10%), do tratamento de resíduos (10%) e dos processos industriais (9%).

O aumento da temperatura média no planeta Terra começou a acentuar-se a partir dos meados do século XIX, com a “revolução industrial”, com uma subida mais forte desde finais do século XX, pelo que a temperatura média actual é 0,5 graus mais elevada, disse o investigador da UA, que prosseguiu sublinhando que também tem havido uma constante subida da libertação de gases com efeito estufa, com especial destaque para o dióxido de carbono (CO2), que, nos últimos 150 anos, passou de 280 ppm (partículas por milhão) para as actuais 375, prevendo-se esse número suba para as 550 ppm nos próximos cem anos.

Carlos Borrego alertou para o facto de em 2080 a temperatura média na Europa esteja entre 2,1 e 4,4 graus mais elevada, enquanto a média mundial ficará entre 1,8 e 4º, o que poderá ter implicações devastadoras na biodiversidade e poderá mesmo pôr em causa a sobrevivência humana. O nível médio das águas do mar poderá subir entre 18 e 60 centímetros. Neste último caso, a cidade de Coimbra passará a ter praia oceânica.

Se as previsões se confirmarem, Carlos Borrego alertou que Portugal terá chuvas mais intensas e concentradas em curtos espaços de tempo, o que provocará inundações catastróficas, a par de períodos de seca mais prolongados e com temperaturas mais elevadas, o que provocará maior erosão, destruição de solos, redução e contaminação de água potável.

Para Carlos Borrego, a construção de esporões no litoral não é solução para o avanço do mar devido à subida do nível médio das águas do mar. Por isso, chegou a altura de se começar a equacionar a transferência das populações que residem em zonas de risco e também a proibição de construção urbana nessas áreas do litoral.

Tudo isso terá impacto na biodiversidade e na preservação dos habitats naturais, lembrando Carlos Borrego que “a biodiversidade é fundamental para a sobrevivência humana”.

C.F.