Ano Novo guiado pela “Estrela da Esperança”

D. António Francisco presidiu, na Sé, à Missa de Ano Novo, invocando a Mãe de Deus como “Estrela da Esperança”, e convidou os cristãos a rezarem mais em 2008

D. António Francisco convidou os cristãos e as comunidades a ofeecerem em 2008 “mais tempo e espaço à oração, à adoração e à contemplação”. Tal atitude “é imprescindível para que cada um de nós como pessoa, como família e como comunidade encontre a alegria e a paz ao longo de todo o tempo que um novo ano sempre anuncia”, afirmou, acrescentando: “Sobretudo os Santuários, que na nossa Diocese são todos santuários marianos, devem proporcionar momentos de celebração de Reconciliação e de Eucaristia e espaços de acolhimento, de oração e de contemplação”.

O Bispo de Aveiro presidiu à Eucaristia do dia 1 de Janeiro, dedicado à Mãe de Deus e Dia Mundial da Paz, na Sé de Aveiro.

Referindo que “Maria guardava todas as coisas no seu coração”, em especial, o “mistério da maternidade divina” e “o milagre da nossa filiação divina”, o Bispo de Aveiro, na senda de Bento XVI, afirmou: “As verdadeiras estrelas da nossa vida são as pessoas que vivem com esperança. (…) Quem mais do que Maria pode ser para nós a Estrela da Esperança? (…) Maria é a Arca da Aliança onde Deus se fez Carne”.

D. António Francisco invocou o Plano Pastoral para sublinhar a necessidade de “gestos criativos” pelos pobres e lembrou que 2008 é um ano dedicado a São Paulo, constituindo essa efeméride instituída pelo Papa um apelo “ao dinamismo nas actividades pastorais”, “uma urgência” de todos os cristão serem “discípulos, apóstolos e missionários”. O Bispo de Aveiro referiu ainda que em 2008 haverá a Jornada Mundial da Juventude (na Austrália) e um Sínodo dos Bispos (em Roma), dedicado à Palavra de Deus. São acontecimentos importantes “também para a Igreja Diocesana”.

Secundando a mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz, “Família Humana comunidade de Paz”, D. António Francisco afirmou que “a paz não se inventa, não se improvisa, não se adivinha nem se impõe. A paz educa-se. (…) Andamos todos preocupados com paz. E esquecemos que a família é o seu habitat natural, a sua escola permanente (…). Valorizemos a família humana (…) e construiremos a paz no coração humano e na comunidade humana”.

No final da celebração, D. António Francisco estendeu a sua bênção a “todos os diocesanos”, especialmente aos que mais sofrem, os doentes, “nos hospitais ou em casa”, os reclusos, “os que passam por horas de provação” e “todos aqueles para quem o horizonte de 2008 é mais enevoado”.

J.P.F.

“Esquecemos que a família

é o habitat natural da paz”

Neste Dia Mundial da Paz, o Santo Padre, Bento XVI, envia-nos uma mensagem com o tema: “Família Humana, a comunidade de paz.” Daí retiro oportunos ensinamentos que esta mensagem nos oferece:

A família constitui o “lugar primário da humanização da pessoa e da sociedade, o berço da vida e do amor… e é igualmente a primeira e insubstituível educadora para a paz”, diz-nos o Santo Padre. (Mensagem 2008, n.º1,2,3).

Os gestos, os olhares, as palavras de uma família “sã” estruturam a melhor gramática da paz e são a principal “agência de paz”. (id. n.º3,4,5).

Uma sociedade que não entenda, não respeite ou não ajude a “família nestes campos priva-se de um recurso essencial ao serviço da paz”(id. n.º5).

O cuidado com o ambiente, casa da família humana, impõe respeito pelo equilíbrio ecológico, atenção maior aos pobres e aos “excluídos do destino universal dos bens da criação.”

Por seu lado, a integração no património da família não só dos bens materiais necessários mas também dos valores essenciais que configuram a vida e das normas jurídicas e morais que a alicerçam, revela-nos que a paz não se inventa, não se improvisa, não se adivinha nem se impõe. A paz educa-se e edifica-se, implora-se e merece-se. “Ser pacífico e construtor da paz é uma das bem-aventuranças do Reino” (Mt. 5,9).

Andamos todos tão preocupados com a paz! E esquecemos tão facilmente que a família é o seu habitat natural, a sua escola permanente, o seu ambiente propício, o seu fundamento necessário.

Pretender promover a paz e o progresso e desamparar a família humana é um contra-senso e um paradoxo.

A sociedade civil e o Estado não podem esquecer esta realidade nem menosprezar o esforço da Igreja no serviço da família nas suas mais diversas vertentes e concretamente como educadora da paz das consciências, da harmonia dos esposos, do encontro de gerações, da comunhão entre pais e filhos e do equilíbrio social.

Valorizemos a família humana, nos seus princípios essenciais, nos seus fundamentos indestrutíveis, nos seus valores cristãos e construiremos a paz no coração humano e na comunidade humana.

Que Nossa Senhora, estrela da esperança e rainha da paz, nos ilumine ao longo de cada dia deste novo ano com a luz do Seu exemplo, com a paz da Sua presença e com a doçura da Sua bondade.”

Excerto da homilia de D. António Francisco. Sé de Aveiro, 1 de Janeiro de 2008