Excerto da mensagem de António Francisco dos Santos, Bispo de Aveiro e Presidente da Comissão Episcopal Vocações e Ministérios, para o Dia Mundial das Vocações
Às comunidades cristãs pede-se hoje que mantenham viva, com clareza e confiança, através de uma oração incessante a invocação da iniciativa divina. Só reconduzindo-nos ao coração de Deus, berço e génese da vocação, perceberemos que a vocação é obra da graça e dom de amor. Deus precede-nos sempre no caminho que antes de ser aventura humana é iniciativa divina. Antes do chamamento dos discípulos, Jesus rezou. (…)
Uma comunidade atenta e orante oferece àqueles que são chamados, ambientes, iniciativas, actividades e tempos propícios ao discernimento prudente e à resposta livre, generosa, convicta e fiel ao projecto divino. É sempre no horizonte de uma liberdade responsável, de uma exigência moral estruturante e de experiências activas de compromisso eclesial que a vocação ganha sentido e valor. A comunidade cristã, os movimentos apostólicos, as famílias, os sacerdotes e os consagrados(as) têm aqui uma primordial e insubstituível missão.
Compreende-se, por isso, que seja a partir da Eucaristia e do serviço do altar que a comunidade cristã perceba melhor o mistério do dom de Deus por excelência, se molde sempre mais esta confiança na iniciativa de Deus e se dê maior valor à resposta humana de quantos são chamados.
Prioridades da Pastoral Vocacional
De acordo com a mensagem do Santo Padre, conscientes de que todos já percorremos parte do caminho, cheios de esperança, e certos de que isso marca a diferença das prioridades de acção da pastoral vocacional, somos agora convidados a:
– contemplar o diálogo vocacional entre a livre iniciativa do Pai e a resposta confiante de Cristo;
– testemunhar a alegria de ser chamado e a beleza e urgência do chamamento;
– vencer os medos próprios do tempo, do ambiente e do calculismo e a soltar as amarras arrastadas pelo cansaço, pelo desânimo ou pelas incompreensões;
– aderir ao projecto de Deus com a liberdade de quem tudo deixa para entrar na escola do Mestre e para O seguir com ânimo confiante e agradecido;
– viver sem reservas o Evangelho de Cristo, na fidelidade plena e feliz de quem acolhe os conselhos evangélicos como um dom e os cumpre com verdade e alegria;
– ouvir o clamor do povo que pede servidores generosos e trabalhadores incansáveis que façam multiplicar os talentos, que semeiem com generosidade e que lancem de novo as redes, conscientes da dimensão do mistério da multiplicação, do tempo demorado e paciente da colheita e do milagre da abundância depois de uma noite inclemente de desânimo.
