Antidiálogo

Questões Sociais Desde os seus primórdios, no século XIX, a nossa democracia foi quase sempre antidialogal. Os partidos têm-se dividido em dois grupos antagónicos: os do governo e os da oposição. Os primeiros entendem que a solução dos problemas do país consiste na aplicação dos seus programas; e os segundos entendem exatamente o contrário. Os partidos opositores contestam, na totalidade e sistematicamente, as políticas dos governos, mesmo que estas coincidam com as que eles adotariam se fossem governo; e, para cúmulo, só se dispõem a cooperar se os partidos de governo renunciarem aos respetivos programas, a favor dos seus.

A cessação de funções dos últimos primeiros-ministros é deveras sintomática deste estado de coisas: todos foram difamados e vilipendiados até ao extremo, com pressões violentas para abandonarem os seus lugares; mas, quando cessaram funções, receberam graves acusações de abandono e de fuga às suas responsabilidades. Dá a impressão de que as forças oposicionistas e contestatárias se orientam por um sadismo crudelíssimo; interessa-lhes que os governos se mantenham, exclusivamente, para serem vilipendiados «sem dó nem piedade».

Na prática, os governos eleitos democraticamente vêm sendo tão contestados como o foi o «Estado Novo». Todos os partidos, na oposição, vêm funcionando totalitariamente contra os governos; tão totalitariamente que até se permitem afirmar que a legitimidade para governar está neles próprios, e não nos que foram escolhidos pelo povo. No fundo – e em última instância – dão a entender que a fonte do poder não está no povo, mas sim neles. E não se esqueça que todos os partidos, com assento parlamentar, têm passado pela oposição, seguindo a mesma linha de rumo.

É caso para se perguntar: alguma vez os partidos adotarão as sugestões apresentadas aqui, nos artigos anteriores, com base na doutrina social da Igreja e noutras fontes?