Oliveira do Bairro O edifício onde, no século XIX, funcionou a Câmara Municipal de Oliveira do Bairro, e que acolheu também as instalações da antiga prisão, situado no centro histórico da cidade, próximo do imóvel da Biblioteca Municipal, o qual foi, até há pouco mais de uma década, os Paços do Concelho, deverá ser demolido para permitir o alargamento da estrada, apesar de recente-mente ter sido classificado como Imóvel de Interesse Municipal.
Ao contrário do executivo municipal liderado por Acílio Gala (CDS-PP), que propôs a classificação do imóvel já na sua fase final de mandato, o actual elenco municipal, presidido por Mário João Oliveira (PSD), pretende demolir o antigo edifício, de modo a permitir a requalificação da EN 235 (estrada nacional), transformando essa via numa moderna avenida que atravessará toda a cidade, entre o novo quartel dos Bombeiros Voluntários (a poente) e a Escola Secundária (a nascente). Para tal, a autarquia deverá anular o concurso de recuperação do histórico edifício, lançado pelo executivo de Acílio Gala.
Num artigo publicado no “Jornal da Bairrada”, Walter Rosa, docente da Universidade de Coimbra, refere que esse antigo imóvel está “muito descaracterizado”, e que terá uma “provável origem seiscentista”, sendo “ainda hoje conhecido como a «Cadeia Velha», função que conservou depois de dali ter sido transferida para o outro lado do largo a sede do município”.
No entanto, nesse artigo, o investigador sublinha que “visto como objecto isolado, o edifício da Antiga Casa da Câmara e Cadeia de Oliveira do Bairro não desperta grande interesse. Não é monumental, está aparentemente muito descaracterizado, não tem qualquer elemento decorativo, etc. Porém conserva todo o potencial de reposição próxima da sua situação original. Mais ainda, é um digno representante em solo nacional de um dos programas e tipos mais simples de um equipamento que estruturou e ordenou o país e o Império durante toda a Idade Moderna da História de Portugal”.
Numa “carta aberta ao Senhor Presidente da Câmara Municipal”, assinada por Acílio Gala, também publicada no “Jornal da Bairrada”, o ex-autarca escreve: “É ainda minha convicção que o bom senso imperará, não deixando que o asfalto abafe a voz da História do Povo do nosso Concelho, perdendo-se, para todo o sempre, parte importante da nossa herança cultural”.
Cardoso Ferreira
