Ponta de Lança Somos um país meridional, pequeno, periférico, temperado, com os constrangimentos e virtudes inerentes.
Por cá, temos pouca coisa em bruto, naquilo que de bruto há de negativo!
Nem petróleo, nem diamantes, nem tempestades, nem comportamentos! Porém, ciclicamente levantam-se algumas revoltas que, prontamente abafadas, vão dando e vendendo a imagem de brandos costumes. E, em abono da verdade, que alternativas teríamos se fôssemos um povo agressivo, inóspito?! Ganha a empatia, qualquer estranho é um dos nossos!
São, muito sinteticamente, estas as razões para um país acolhedor assumir como suas as prioridades de um drama como o que a família McCann viveu no Algarve, quando a sua filha, Madeleine, de quatro anos, foi dada como desaparecida a 3 de Maio! Todos calcorrearam os caminhos das autoridades e dos pais; a Praia da Luz envolveu-se afectivamente com tudo o que ali se ia passando!
De repente… Kate e Gerry McCann foram constituídos arguidos no processo, o que, só por si, não significa nada mais do que isso.
Os ingleses, através da comunicação social, “entraram” pela casa dentro dos portugueses a darem como incompetentes as autoridades e a sublinharem a lentidão de processos lusos!
A família McCann parte para Inglaterra!
Continua a desconfiança, que chega a afectar o carácter, sobre o “nobre povo, nação valente”…
No ar paira, mais do que nunca, uma espécie de vontade de “revanche” sobre a derrota portuguesa (não apareceu a menina!), perante as alusões britânicas! Qualquer coisa do género: “Era bem feito que fossem culpados”! O humano no seu pior!
Mas isto é um tiro ao lado do essencial, provocado por um universo sedento de novidade e alimentado por ela! Antes de tudo o resto, já todos perdemos! Perdemos clareza, temperança, discernimento, confiança, serenidade! É uma derrota colectiva (também para os ingleses) e, a menina… continua desaparecida!
As notícias, que se sucedem, não dão nenhum sinal de esperança quanto a outro resultado! Perdeu a humanidade!
Desportivamente… pelo desporto!
