Apicultura pode valorizar eucaliptais

A coexistência de abelhas e eucaliptos é benéfica para ambas as espécies.

Entre as mais de cem espécies de eucaliptos existentes em Portugal, ao longo do ano há sempre algumas em floração, nomeadamente nos meses mais frios de novembro a março, período em que as abelhas têm mais dificuldades em encontrarem flores com pólen disponível para as suas necessidades.

Ernesto Goes, no seu livro “Os Eucaliptos (Ecologia, Cultura, Produções e Rentabilidade)”, refere que “as flores dos eucaliptos são muito atraídas pelas abelhas, que produzem um mel de grande pureza e de alta qualidade. Por esse facto, junto dos eucaliptais é frequente encontrarem-se importantes explorações apícolas”, realçando que “em Portugal é bem conhecido o mel produzido na Mata Nacional do Escaroupim [Ribatejo], onde existem inúmeras espécies de eucalyptus que florescem em épocas diferentes”. Este engenheiro silvícola sublinha que “através de uma consociação perfeita de espécies de eucalyptus, poderemos manter, praticamente, o povoamento sempre com árvores floridas”.

Alcides Baroet, produtor de mel biológico certificado e proprietário do Apiário do Carmo, que inclui um pequeno parque temático e pedagógico sobre a apicultura, situado no extremo sul da Gafanha do Carmo, defende que os grandes produtores florestais, nomeadamente de eucaliptos, plantem alguns exemplares de espécies com diferentes períodos de floração, de modo a que as abelhas dos apiários situados nas orlas florestais tenham sempre flores disponíveis ao longo do ano.

O apicultor realça que os proprietários de pequenas plantações de eucaliptos podem rentabilizar muito mais as suas explorações se diversificarem as espécies de eucaliptos plantadas nos seus terrenos e se instalarem colmeias no local, tanto mais que Portugal é um país que importa grande parte do mel que consome. A par do mel, os produtores florestais podem ainda rentabilizar o apiário através da comercialização de produtos associados, como a cera, o pólen, o própolis, entre outros produtos de elevado valor.

Ernesto Goes, no seu livro “Os Eucaliptos – Identificação e monografia de 121 espécies existentes em Portugal”, identifica quatro espécies com muito interesse para a apicultura, Albens, Behriana, Diversifolia e Melliodora, referindo que o nome desta última deriva precisamente do seu interesse melífero. No primeiro dos livros citados, o autor apresenta 36 espécies de eucaliptos que em Portugal podem ser usados numa plantação de modo a haver sempre eucaliptos em floração ao longo do ano.

Cardoso Ferreira