Aquilo em que o Papa crê

Livro Esta “Introdução ao Cristianismo” foi escrita em 1967, no rescaldo do II Concílio do Vaticano, por Joseph Ratzinger, que agora é Papa.

É o teólogo que escreve. Ou seja, estamos perante uma explicação do Credo (já na semana passada aqui apresentámos uma) para reflectir antes de dar o salto da fé. Por isso, surgem exemplos da literatura, da filosofia e da teologia (a obra nasceu de comunicações aos estudan-tes de Tubinga – Alemanha), de autores em voga na época, como Harvey Cox (teólogo), Paulo Claudel (escritor) ou Martin Buber (filósofo).

E não estamos longe da filosofia existencialista, em que o ser humano está sempre em questão, em que a sua liberdade se joga em cada opção tomada, ao contrário do pensamento existencialmente inconsequente que marca a filosofia actual.

Um parágrafo do primeiro capítulo mostra bem o tom da obra (e as suas características dialogantes e de fronteira, contra o papel de baluarte da ortodoxia que Ratzinger viria a assumir como perfeito da Congregação para a Doutrina da Fé): “Assim como o fiel se sabe constantemente ameaçado pela incredulidade, que o acompanha como uma tentação sem fim, também a fé constitui para o incrédulo uma ameaça e uma tentação para o seu mundo aparentemente completo. Por outras palavras, não há como escapar do dilema da existência humana. Quem quiser fugir das incertezas da fé terá de suportar as incertezas da ausência de fé e nunca poderá dizer com certeza definitiva que a fé não é verdade. Só na recusa da fé se revela a sua irrecusabilidade”.

A obra divide-se em quatro grandes partes, três sobre “a matéria” do Credo (Deus, Jesus Cristo e o Espírito e a Igreja) e uma primeira sobre o significado de “crer no mundo de hoje”. A leitura requer uma certa bagagem filosófica e teológica, porque, se há “fés” simples como a da Teresinha, também há aquelas que procuram mais os fundamentos e mais se confrontam com os outros campos do saber. E todas têm igualmente lugar entre os seguidores de Jesus Cristo.

J.P.F.