P.e Júlio Rodrigues é o primeiro a receber a medalha de mérito da freguesia
A Junta de Freguesia de Aradas homenageou o P.e Júlio da Rocha Rodrigues, no dia 9 de Janeiro, pelos quase quarenta anos de dádiva à comunidade, entregando-lhe a medalha de mérito da freguesia.
David Paiva Martins, presidente da Junta de Freguesia, justificando o acto, perante um salão cheio de populares e de individualidades, apontou o “alto contributo de apostolado e a promoção social” do pároco de Aradas, nomeadamente com o primitivo (1977) e actual Centro Comunitário, a restauração da Igreja paroquial e o Lar Maria Amélia, em construção. Referiu igualmente outro “dom” do P.e Júlio: “o extremo cuidado com os doentes e a capacidade de os confortar, sobretudo os que estão em fase terminal e em grande sofrimento”.
P.e Júlio da Rocha Rodrigues nasceu no dia 4 de Fevereiro de 1935 na Gafanha da Nazaré. Ordenado no dia 15 de Agosto de 1970, entrou em Aradas, como vigário paroquial, no dia 4 de Outubro de 1970. É pároco desde 1975.
Ao Correio do Vouga, o presidente da Junta de Freguesia de Aradas referiu que a homenagem devia ter sido feita há muitos anos. “O P.e Júlio é um homem de uma fé fantástica, de um empenhamento pastoral espantoso. E a obra está aí à vista”, disse. No entanto, “há os que o amam e os que o odeiam”. “O P.e Júlio é uma figura controversa porque tem um feitio levado da breca. É teimoso. Às vezes responde mal. Quem só vê isso, vê pouco. Ele, como pessoa, tem os seus direitos e tem direito a tê-los”, refere Paiva Martins. A prova de que a homenagem era desejada deu-a o povo, comparecendo em grande número na sede da Junta de Freguesia e a Igreja.
Nas intervenções públicas, Fernando Mendonça, representando o governador civil, realçou o valor da dádiva ao próximo e felicitou a Junta de Freguesia pela iniciativa. Élio Maia, presidente da Câmara Municipal de Aveiro, traçou um paralelo entre P.e Júlio e Frei Pedro de Aradas, separados por 500 anos no tempo (ver texto em caixa). Ambos foram guiados por um sentimento de servir, ambos “ultrapassaram obstáculos com um elemento imaterial, a fé”, ambos são figuras de Igreja, notou o autarca.
Nas breves palavras que dirigiu no salão da Junta, após a atribuição da medalha, o P.e Júlio afirmou que “a vida só tem sentido quando é invadida pela profundidade do amor de Deus”. “Só com a ajuda do Senhor podemos ser felizes”, disse.
Entre os que não quiseram faltar à homenagem esteve Gilberto Madaíl, presidente da Federação Portuguesa de Futebol. “Conheço o P.e Júlio há muitos anos. Tenho tido o prazer de privar com ele fora das suas funções sacerdotais e acho que é uma pessoa que tem o coração do tamanho do mundo. Tem uma grande sensibilidade por aquilo que são os problemas humanos, particularmente por aqueles que sofrem. Acho que é justíssima esta homenagem. É bom que as pessoas se lembrem de agradecer às outras em vida. Foi uma cerimónia que me encheu de contentamento”, disse ao Correio do Vouga.
Na homilia da Missa que se seguiu à sessão no salão da Junta, D. António Francisco, para lá da obra social, sublinhou as “quatro décadas” de “construção da comunidade cristã”, a dedicação aos doentes, às crianças e aos jovens, os “leigos e leigas que foram moldados na sua forma de ser cristão com a ajuda do P.e Júlio”. “A vida do sacerdote não se mede pelas obras e estruturas, mas pelas vidas que se transformam, pelas comunidades que crescem e se transformam na fé”, observou. O Bispo de Aveiro agradeceu a “beleza” da homenagem do poder local. “É assim que também se constrói a escola de valores que há-de perdurar no tempo”, disse.
Jorge Pires Ferreira
Aradas quer homenagear todos os anos duas figuras da terra
A Freguesia de Aradas, que atribuiu pela primeira vez a medalha de mérito, pretende homenagear todos os anos duas figuras da freguesia, uma do passado e outra do presente. A homenagem será feita a 6 de Novembro, dia da freguesia. Este ano foi no dia 9 de Janeiro porque as eleições autárquicas não permitiram que se usasse o “dia da freguesia”.
Na cerimónia de sábado passado, além do P.e Júlio, foi lembrado Frei Pedro de Aradas, que nasceu em 1457, professou na ordem de S. Domingos, em Aveiro, e morreu no convento de Évora, em 1528, com “aura de santidade”.
David Paiva Martins, sem adiantar figuras do presente, referiu que Aradas tem figuras históricas “às toneladas” para homenagear. Exemplos: António Lopes dos Santos, presidente da JF na primeira metade do séc. XX, Major Lebre, “que apoiou tudo o que era progresso nesta terra”, Frei Miguel de Bulhões e Sousa, bispo, Barbuda de Vasconcelos, poeta épico.
“Estamos, precisamente, eu e o [historiador] Amaro Neves, a levantar a memória de pessoas importantes, que foram úteis à sua terra e às suas gentes, para que não fiquem esquecidas”, diz o presidente da Junta. Aradas não descura o dever de fazer memória.
