Olho de Lince A noite era do pirilampo mágico. O espectáculo já de si é positivo, pela solidariedade que o motiva. Mas as circunstâncias que me chamaram a atenção trazem-lhe um valor acrescentado.
A cantora irradiava uma alegria, que me não pareceu de conveniência, mas antes de autenticidade. E sobretudo desdobrava a graciosidade da melodia e da letra com uma gesticulação diferente: não fazia a coreografia sem sentido, quantas vezes máscara da falta de conteúdo artístico; envolvia-se da linguagem gestual, a permitir assim a entrada nos olhos e no coração daqueles que se vêem privados do ouvido e da fala.
Num mundo de avalanches de informação, onde tantas vezes se vive a mais profunda esterilidade de comunicação, estas são verdadeiras manifestações do Espírito, num bem conseguido serviço de encontro mútuo. Com arte, entusiasmo e dedicação se faz a proximidade e a partilha, mesmo por entre obstáculos sérios.
