As campanhas de Janeiro

Ponta de Lança Este mês talvez faça bem aos mais desafortunados. Está aberto o “mercado de Inverno” – é uma expressão curiosa quando se aplica a jogadores de futebol! Todos estamos a ver um mercado, por exemplo, o de José Estêvão, o de S. Tiago ou outro qualquer municipal ou de freguesia, com os nabos, as nabiças, as abóboras, os alhos, as cebolas… muito frio – é de Inverno! – e jogadores de futebol ali alinhadinhos à espera de serem comprados e levados, nas seiras de qualquer empresário, para outros clubes?!

Mas voltemos ao assunto, as campanhas de Janeiro!

Vamos classificá-las em quatro níveis: gloriosas, duras, dolorosas e inúteis.

As desportivas são todas gloriosas, inclusive quando clubes acabam por falir por má gestão. Isto é glorioso, lamentavelmente glorioso! É uma fotografia de tudo o resto, o que é óptimo para percebermos o estado da nação.

Algumas são duras, como é o caso das muitas campanhas que obrigam os nossos pescadores a ir por mar adentro!

Outras foram, para nós portugueses, dolorosas a todos os níveis; lembramos, de maneira particular, as da guerra do Ultramar, com as mensagens que chegavam inevitavelmente polvilhadas de “adeus até ao meu regresso”.

Por fim, as inúteis! É óbvio que são todas as campanhas políticas. Há uma pré-campanha totalmente desconexa, que faz corar de vergonha Brízida Vaz! Estas, as campanhas políticas, ao estado a que chegam são autênticas encenações de Gil Vicente.

Vejamos a situação: esta campanha de Janeiro é anunciada com seis tentativas de elucidar os indecisos. Quem são eles? Comprovadamente quem está longe da matéria, quem não se interessa muito pelo assunto, aqueles que gritam ao passar a caravana “são todos iguais, o que querem é tacho!” Ora, se são esses os indecisos, será que com todo este maldizer alguém se vai decidir?

Campanhas…o que vale é que, por serem campanhas, têm um fim!

Desportivamente… pelo desporto!