Poço de Jacob – 22 Neste Ano Sacerdotal, providencialmente oferecido pela Igreja a todos nós, temos lido muito sobre a vida e obra do Cura d’Ars, João Maria Vianney. Quanta lição! Humanamente, nada prometia. Os ditos homens inteligentes do seu tempo criticaram-no muito. Os seus colegas de seminário, seus vizinhos sacerdotes, nenhum ficou conhecido como um “santo cura” ou seja, um “santo pároco”. Só ele. Deus, ainda hoje e sempre, escolhe o que nada vale para mostrar a sua força. Ter-se feito Homem foi uma forma incrível de aniquilamento. Na humildade da sua humanidade, no silêncio da sua vida de Nazaré, na incompreensão dos seus contemporâneos, nos terríveis momentos da sua Paixão e Cruz, Deus realizou, numa terra inóspita e esquecida do império, a salvação da humanidade.
O acontecimento mais importante de todo o cosmos deu-se no apagamento de uma época perdida há dois mil anos nas terras de Israel e vizinhos… Entre as muitas coisas que me impressionam em S. João Maria Vianney, destacam-se a consciência das suas limitações e a consciência de ser instrumento de Deus. Ele vigiava atentamente sua personalidade. Sabia que havia em si próprio muitas brechas, e sabia que por elas pode entrar o demónio, o orgulho, a tentação que destrói o bom que trazemos dentro. Atacou as suas brechas de personalidade e Deus triunfou nele. Não desarmou. Sabia que o demónio anda à nossa volta “como leão que ruge”, procurando a quem devorar, como diz a segunda carta de S. Pedro.
Olhando para nós, por vezes temos medo de enfrentar as nossa brechas. Nem sequer paramos para pensar nelas. Se pararmos para fazer a lista, ficamos surpreendidos com a quantidade de brechas que temos, muitas vezes escondidas numa capa de segurança pessoal, de alegria artificial, que nós bem sabemos ser capa, máscara. Mas descobrir a brecha é condição essencial para que a casa se mantenha de pé e se possa reparar. Por isso, quando João Maria Vianney, padroeiro dos padres, nos fala das suas brechas, ficamos em alerta permanente e com alegria por sabermos que se ele venceu nós também temos tarefa e material para vencer. Importa é sermos humildes e verdadeiros, porque brechas de personalidade tinha a Samaritana, e ninguém duvida de que ela venceu. Ou seja, Cristo venceu nela.
Já sabes quais são as tuas brechas?
P.e Víctor Espadilha
