Com uma tiragem de 300 exemplares, saiu mais um número da “Igreja Aveirense”, revista da responsabilidade da Comissão Diocesana da Cultura, que tem como missão contribuir para a memória da comunidade diocesana, recolhendo os principais documentos desta porção da Igreja.
O presente número corresponde à segunda metade de 2007 (Julho/Dezembro). Na primeira parte, dedicada aos textos de D. António Francisco dos Santos, sobressaem as mensagens sobre os Seminários e as homilias de Natal e na abertura da Semana da Educação Cristã, que tiveram ecos ou publicação integral no Correio do Vouga.
De D. António Marcelino a revista recolhe a homilia da abertura das festas jubilares do Carmelo de Cristo Redentor (9 de Dezembro de 2007) e duas conferências, a primeira a destinatários não referidos e a segunda no Colégio de São Teotónio.
Aos professores da escola da diocese de Coimbra, D. António Marcelino falou sobre “testemunhar a esperança num mundo de contradições”. “O cristão, num mundo de contradições, não pode ser um homem de seita ou de grupo enquistado, mas deve estar aberto à colaboração com todos quantos honestamente trabalham pelo bem de todos, capaz de apreciar e de louvar o que se faz de bem, mesmo quando realizado por gente que lhe seja estranha pelas ideias ou pela convivência diária”, escreve. Noutro ponto, adianta: “O futuro, que nos compete também a nós, cristãos, construir com esperança e determinação, deve ser um futuro humanizado e não será, se quem tem valores morais e éticos se omitir, na sua dedicação e acção. E, tratando-se de professores e educadores, deles depende muito a educação das novas gerações”.
Na primeira das conferências, o Bispo emérito aborda um “problema pastoral incómodo”, o dos divorciados recasados, “problema cada vez mais grave”, e que viu algumas portas abrirem-se, mas “sem continuidade”. Lamenta a certa altura que, “porque parece que o problema deixou de incomodar, se deu aquilo que é dolorosamente habitual e que os tempos que correm favorece: uma pastoral de simpatia, de emoções, de dizer a tudo que sim; cada um reger-se segundo o seu parecer e interesse; o voltar de costas à Igreja, porque ela se foi tornando insignificante para os homens de hoje, pelas suas posições e demoras”. Este problema é um dos “muitos que na Igreja não estão resolvidos e cuja demora de melhor solução não a favorece”.
As partes III e IV da revista são dedicadas, respectivamente, ao Plano Pastoral e aos Serviços Diocesanos (secretariados, movimentos, paróquias, serviços…), destacando-se o texto da abordagem bíblica da pobreza, por P.e Júlio Franclim. Noutras secções são lembrados os padres que entretanto faleceram e registam-se publicações e iniciativas de carácter espiritual.
Nas últimas secções, “Pessoas notáveis” e “Testemunhos”, P.e Georgino Rocha, director desta revista, traça o perfil de Pedro Grangeon Ribeiro Lopes (Viseu, 1902 – Aveiro, 1996), seguindo-se os testemunhos de P.e João Paulo Ramos e da sobrinha Maria Celeste Salgueiro. Bancário de profissão, a “pessoa notável” desta edição distinguiu-se na direcção da Acção Católica, nas Conferências Vicentinas e na Misericórdia de Aveiro, mas também no Clube dos Galitos ou no Conservatório de Aveiro. Uma curiosidade: no Correio do Vouga, Pedro Grangeon Ribeiro Lopes assinou crónicas sobre a Terra Santa após uma viagem empreendida em 1978.
Igreja Aveirense
Julho/Dezembro de 2007
208 páginas
Pedidos: Comissão Diocesana da Cultura, tel.: 234 420 600, cufc@ua.pt
