«Luz do Mundo», apresentado ontem no Vaticano, resulta de entrevista ao jornalista alemão Peter Seewald. Estará disponível em Portugal nos finais de Novembro.
O livro “Luz do Mundo – O Papa, a Igreja e os Sinais dos Tempos”, que resulta de uma entrevista entre Bento XVI e o jornalista alemão Peter Seewald, foi apresentado ontem no Vaticano.
Bento XVI dá-se a conhecer pelas suas próprias palavras e várias passagens foram já divulgadas por agências de notícias e pelo próprio jornal do Vaticano, «L’Osservatore Romano», merecendo grande destaque na imprensa mundial.
Num excerto da obra publicado, Bento XVI afirma que pode haver casos pontuais, “justificados”, em que admite o caso do preservativo.
O Vaticano veio já a público desmentir algumas “interpretações” dadas a estas palavras e, em comunicado do seu porta-voz, P.e Federico Lombardi, sublinha que “o Papa não justifica moralmente o exercício desordenado da sexualidade, mas defende que o uso do preservativo para diminuir o perigo de contágio é «um primeiro acto de responsabilidade», «um primeiro passo na estrada para uma sexualidade mais humana», mais do que o não fazer uso do mesmo expondo o outro a um risco de vida”.
Peter Seewald assegura que Bento XVI não fugiu a nenhuma das 90 perguntas nem “modificou as palavras pronunciadas”, propondo apenas “pequenas correcções” na transcrição final.
O resultado é, para o autor, um diálogo franco e directo sobre os mais variados temas, desde as questões fundamentais para a Igreja e sociedade em geral aos seus filmes preferidos ou os Santos da sua devoção.
O Papa confessa que depois da sua eleição, em Abril de 2005, esperava encontrar “paz e tranquilidade”, lembrando assim os sentimentos que surgiram naquela altura.
A reflexão inicia o livro, com 18 capítulos, numa secção intitulada “Os Papas não caem do céu”, com Bento XVI a afirmar que estava “seguríssimo” de que não seria ele o escolhido para suceder a João Paulo II.
Quanto às primeiras palavras proferidas, quando se apresentou como “trabalhador na vinha do Senhor”, o Papa diz que sempre “trabalhou em equipa”, como um de muitos operários, e que o líder da Igreja Católica “não é um monarca absoluto, que toma decisões sozinho e faz tudo por si próprio”.
Bento XVI fala num “fio condutor” na sua vida: “O Cristianismo dá alegria, alarga os horizontes. Em definitivo, uma existência vivida sempre e apenas «contra» seria insuportável”.
O Papa fala de “forças de destruição” na sociedade actual e pede atenção quando se trata de avaliar a sua missão, mostrando-se preparado para as críticas: “Se recebesse apenas consensos, teria de perguntar-se se estaria a anunciar verdadeiramente o Evangelho”.
A Igreja, observa, não é um “aparelho”, pronta para “fazer de tudo”, mas um “organismo vivo, que vem do próprio Cristo”, apesar dos seus limites.
Bento XVI convida a falar do “mundo melhor” para lá da vida material, professado pela fé cristã, e não apenas em “respostas concretas para o hoje, soluções para as tribulações quotidianas”. O Papa diz que os temas da eternidade são como “pão duro” para a humanidade de hoje, pelo que os cristãos têm de “encontrar palavras e modos novos para permitir ao homem destruir o muro do som do finito”.
A conversa entre Bento XVI e Seewald – que já por duas vezes tinha entrevistado Joseph Ratzinger, ainda cardeal – decorreu na residência pontifícia de Castel Gandolfo, perto de Roma, entre os dias 26 e 31 de Julho. As duas anteriores entrevistas a Seewald tornarem-se os «best-sellers» “Deus e o mundo” (2001) e “O Sal da Terra” (1997).
O livro ontem apresetnado estará disponível em Portugal no final de Novembro.
