Aveiro na ribalta, nem sempre por boas razões

Uma pedrada por semana Aveiro da ria, das salinas, das enguias, do bacalhau, dos ovos moles, dos garbosos moliceiros… Aveiro da liberdade democrática, do respeito por todos, da coexistência amistosa… Aveiro, terra do acolhimento aberto, da gente alegre e bairrista da beira-mar, dos mil sonhos que o mar alimenta… Aveiro, cidade universitária, com uma Escola prestigiada no país e mais além…Aveiro, encontro de rodovias que a aproximam de todos e para todos são convite a vir… Aveiro de Santa Joana, a Princesa que a escolheu e a honrou…Aveiro do S. Gonçalinho com a sua chuva de cavacas… Aveiro que parece ter perdido, para alguns que a não conhecem, a face linda e descoberta que sempre a emoldurou, para dar lugar, numa comunicação social insaciável, à face oculta, de que a cidade se envergonha, por não lhe dizer respeito, nem a si, nem à sua gente.

O distrito, que vai de Castelo a Paiva à Mealhada, com uma zona marítima invejável, uma mancha florestal geradora de vida, um sem número de indústrias pioneiras, uma riqueza associativa variada e invulgar, um viveiro de instituições sociais inovadoras e exemplares, não conta apenas, desde há muito, para as estatísticas que o alcandoram, mas, também, para as confusões que o envergonham e dele fazem falar, mesmo quando os seus ventos sopram de fora, mas deixam rasto inspirador de males e de menos bens.

Muitos factores nesta mudança, social e cultural, que se verifica em Aveiro. E até para o facto de que se sinta, ciclicamente, por estas bandas, o furor de fortes ciclones e a força de vendavais estranhos, que não são sempre os da natureza indomável destas terras e deste mar.

Vale a pena reflectir sobre tudo isto, quando serenar a tempestade e a face deixar de ser oculta.