AVÓS – uma instituição ao serviço de valores

Rica em partilha a Semana da Família Ser avô hoje é ser capaz de viver uma nova época

de fazer família.

Ser avô hoje é uma instituição

A Paróquia de Nossa Senhora da Glória proporcionou na semana passada momentos muito ricos de partilha de valores, de experiências, de testemunhos encantadores.

Os temas tratados ao logo da semana, só por si, eram suficientes para um alertar para o valor da Família. Porém, a feliz iniciativa procurou criar um espaço para ver como são vistos os avós e que papel desempenham nesta sociedade moderna, quando se diz não haver tempo para nada.

Com o salão de São Domingos repleto de gente que ainda quer continuar a apostar na família, como vértice de um triângulo que não se quer destruir, registaram-se testemunhos, criaram-se interpelações que, certamente, proporcionarão momentos de reflexão.

Os avós não são trapos ou coisas de somenos importância, mas são pedras angulares sobre que continua a ser erguido o monumento da Família, fundamento da sociedade.

O casal Manuela e Augusto Lopes Cardoso criou o clima do diálogo. Deu o seu abalizado testemunho, apontou rotas de cooperação com a família. Disse o que é para eles ser avô e avó.

Para Augusto Lopes Cardoso, ex-bastonário da Ordem dos Advogados, o ser avô ou avó, “é um estatuto muito bom, que consiste, essencial-mente, em ser capaz de viver uma nova época de fazer família com a família, com os nossos filhos. Ser avô hoje é uma instituição. A sociedade está já a descobrir que a estabilidade na família passa pelos seus membros, em que estão incluídos os avós.

Para a sua esposa, Maria Manuela Lopes Cardoso, “o ser avó é, sobretudo, estar atenta aos filhos e aos pequeninos; estar disponível para ajudar a educar; ser, por um lado, exigente, mas, por outro, ser também muito carinhosa, para eles sentirem que gostamos muito deles e que têm em nós grandes amigos. Os pais e os avós devem sentir que nós — avós — somos grandes portos de abrigo”.

Um dos temas abordados, ainda que ligeiramente, foi o papel dos avós na transmissão da fé.

Para o Augusto Lopes Cardoso esta temática é muito importante, pois pretende-se fazer descobrir aos nossos filhos e netos que a fé não é um conjunto de regras mais ou menos esotéricas de um Deus distante, que não está a marcar os nossos passos; não é um Deus de ritos, é um Deus de valores que orientam a nossa vida. Os nossos filhos e netos têm de saber que algumas ideias fundamentais que nos orientam são princípios cristãos que vamos assumindo e assimilando.”

Abordou alguns dos grandes fenómenos negativistas da sociedade. Por exemplo: “é intolerável servir-se das pessoas em vez de as servir, de rotular os outros por tudo e por nada; a intolerância, a possibilidade que hoje vimos nas pessoas marginalizarem os imigrantes, tudo isto é anticristão e há que combater estes fenómenos que nos vão aparecendo, não são valores cristãos”, disse-nos Lopes Cardoso.