Azulejos “Arte Nova” no Museu da Cidade

O Museu da Cidade, na Rua João Mendonça, acolhe uma exposição de quase dois milhares de azulejos. Tema: Arte Nova.

“A Arte Nova nos azulejos em Portugal” é o título da exposição, patente ao público no Museu da Cidade, em Aveiro, constituída por 1.400 azulejos de fabrico nacional e por cerca de duas centenas de azulejos de origem estrangeira, pertencentes à colecção do casal Feliciano David e Graciete Rodrigues.

Feliciano David justifica a escolha de Aveiro para expor publicamente, e pela primeira vez, uma mostra temática de azulejos “Arte Nova” da sua colecção por Aveiro ser considerada a “capital portuguesa da Arte Nova” e por aqui ainda haver “in sito” um importante acervo azulejar identificativo desse período. De Aveiro, a exposição deverá iniciar uma itinerância por outras cidades que integram a Rede Portuguesa de Cidades Arte Nova.

Comissariada por Isabel Almasqué e António José de Barros Veloso, considerados os maiores especialistas portugueses em Arte Nova, a exposição também tem um carácter informativo e formativo, para além da sua componente estética. Por isso, a mostra começa por descrever o que foi a Arte Nova e a influência que teve nas artes decorativas, em especial a azulejaria, apresentando depois azulejos das diversas fábricas que produziram azulejos Arte Nova e dos artistas que mais se distinguiram na azulejaria artística dessa época.

Formada essencialmente por azulejos de fachada, a exposição apresenta dezenas de padrões diferentes, para além de frisos, pequenos painéis decorativos e peças avulsas, abarcando praticamente todas as temáticas mais em voga no período Arte Nova. Os azulejos de origem estrangeira surgem para se poder fazer uma comparação entre a qualidade da azulejaria nacional e a estrangeira, bem como as diferentes padronagens e gostos decorativos.

No que se refere à produção, a lisbonense Fábrica de Louça de Sacavém assumiu um papel predominante na divulgação e produção de azulejos Arte Nova. Ainda em Lisboa, a exposição destaca a Fábrica do Desterro e a Cerâmica Lusitânia. De fora da capital, a mostra dá destaque às seguintes empresas: Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha (fundada por Rafael Bordalo Pinheiro), Fábrica do Carvalhinho e Fábrica das Devezas (ambas, no Porto) e a aveirense Fábrica da Fonte Nova.

Na lista dos principais pintores de azulejos Arte Nova, a exposição realça dois aveirenses: Licínio Pinto e Francisco Pereira. De artistas não aveirenses, há peças de José António Jorge Pinto, tido como o mais importante pintor de azulejos do período Arte Nova, Carlos Afonso Soares, Francisco Gonçalves Freitas, José Lacerda, Alfredo Pinto, Alberto Nunes e Paulino Gonçalves.

A exposição está retratada num excelente livro catálogo, profusamente ilustrado, com 160 páginas de grande formato.

A importância e o ineditismo desta exposição pode ser aferido pela equipa que colaborou na sua organização, a qual integrou membros do Museu da Cidade de Aveiro, do Museu de Cerâmica de Sacavém, e das câmaras municipais de Aveiro e de Loures, para além do coleccionador e dos comissários, que assinam o catálogo.

Cardoso Ferreira

Colecção com 60 mil azulejos

Feliciano David e Graciete Rodrigues começaram a coleccionar azulejos há já várias décadas, primeiro, unicamente azulejos de fachada produzidos no século XIX e na primeira metade do século XX, depois, passaram a juntar painéis e alargaram o período temporal da colecção até ao século XV, de modo a cobrir toda a produção azulejar nacional. Há cerca de duas décadas, resolveram organizar a colecção, iniciando então uma estreita colaboração com o casal Isabel Almasqué e António José de Barros Veloso.

Actualmente, Feliciano David tem cerca de 3.000 azulejos em depósito no Museu Nacional do Azulejo, e pouco mais do dobro no Museu de Cerâmica de Sacavém. A par disso, alguns milhares de azulejos seus estão actualmente expostos em mostras temáticas, nomeadamente uma de figuras avulso (patente ao público na Madeira) e de azulejos Arte Nova, em Aveiro.