Obras do IPPAR na igreja das Carmelitas As obras de recuperação da igreja das Carmelitas, da responsabilidade do IPPAR – Instituto Português do Património Arquitectónico, estão a entrar na fase final, com os trabalhos de restauro do seu valioso património artístico, constituído por talhas douradas, painéis de azulejos, pinturas sobre madeira, além das imagens escultóricas.
Jorge Parracho e Cristina Prata são os técnicos de conservação e restauro de azulejos que a empresa Regra de Ouro, sediada em Tomar, destacou para o templo aveirense. O trabalho que estão a executar está praticamente concluído. Jorge Parracho explicou que alguns azulejos tiveram que ser retirados para serem “tratados no atelier da Regra de Ouro, em Tomar, e posteriormente voltaram a ser recolocados no seu lugar”. Todos os azulejos “foram limpos”, e, onde houve necessidade, procedeu-se à “reintegração volumétrica, ou seja, preenchimento de zonas em falta, e repintagem, para dar a leitura inicial”.
Estes técnicos optaram pelo restauro a frio, até porque “somos de uma escola onde nem sequer se pensa em fazer restauro a quente”, ainda que Jorge Parracho garanta que, “em termos técnicos, o podíamos fazer, mas não é isso que se pretende, porque estes azulejos têm cerca de trezentos anos e, se eles fossem hoje ao forno, todas as condições físicas e químicas seriam deturpadas, porque estes azulejos são de uma outra época”.
A par disso, os materiais empregues são “reversíveis, e quando eles não são facilmente reversíveis, utilizamos uma camada de resina acrílica entre o material de preenchimento e o original, de modo que, se daqui a alguns anos surgir um material melhor e for necessário retirar este agora colocado, ele sai com um simples dissolvente”, e isso por “um princípio ético que actualmente norteia a conservação e restauro”.
Nos painéis onde faltavam azulejos completos, a opção, que teve o aval do IPPAR, foi “usar a técnica do fresco”, pintando directamente na parede a mancha do painel em falta, mas de modo que o público note facilmente que houve essa intervenção.
Jorge Parracho e Cristina Pratas fizeram a sua formação de restauro e conservação de azulejos num curso que durou três anos e meio, realizado no convento de Tibães, em Braga, ministrado pelo IPPAR.
Painéis datam do século dezoito
O historiador Amaro Neves, no seu livro “Azulejaria antiga em Aveiro”, refere que, na igreja das Carmelitas, há um “remendo” que se “vê em um desses belíssimos painéis de setecentos, feito com azulejaria do século XVII, logo à entrada, do lado esquerdo”.
No entanto, de acordo com o citado livro, a grande maioria dos azulejos que decoram as paredes interiores deste templo “datam do segundo quartel de setecentos, com o ano de 1737, conforme indica Marques Gomes no catálogo da Exposição de Arte Religiosa, pág. 195, que se realizou em Aveiro, em 1895. Podem, sem grande receio, ser atribuídos à oficina de Vital Rifarto, coimbrão…”.
