Bagão Félix lança livro de contos

“O Cacto e a Rosa” (ed. Sextante), de António Bagão Félix, reúne 22 contos que o autor vem “escrevinhando” desde que saiu da “política activa”, como explicou ao Correio do Vouga.

“Como escrevo na contracapa do livro, são vinte e dois contos entre o cacto e a rosa da vida. Entre os grãos de areia da ampulheta do acontecer e do sentir. Histórias mais ficcionalmente reais do que realmente ficcionadas. Com os inevitáveis espinhos dos cactos e acúleos das rosas. Ou seja com o seu jogo de vida e de morte. Ou o esforço para a luz e para o espírito. Os opostos ou talvez não. A delícia e a cruz. O prazer e o sacrifício. Os aromas e os ventos. O silêncio e a exuberância. A solidão e a companhia. A estética e a ética. O ágape e a quietude. A ternura e a amargura. Ou, talvez apenas, a vida em caleidoscópio”, afirma, antecipando as palavras que vai proferir no dia 15 de Maio, às 18h30, na livraria Byblos, em Lisboa (Amoreiras), na apresentação pública da obra.

Não se trata de uma obra auto-biográfica ou de memórias, mas o homem, político, católico, apaixonado pela botânica, está presente em “O Cacto e a Rosa”. “Confesso – afirma – que em algumas das histórias, estou lá. Às vezes de corpo inteiro, outras vezes, como Hitchcock nos seus filmes, fugidiamente, como figurante. Estou eu… ou talvez a outra parte de mim que busco no encontro que é o acto de escrever. Por ali perpassam o alfobre da minha memória, a obsessão do tempo que possuo e do tempo que me possui, a busca impiedosamente constante do Absoluto, a agitação dos sonhos acordados e a serenidade dos sonhos adormecidos, o mistério do que está para além do fim, o humor do que é singelo”.

António Bagão Félix, professor universitário e colaborador do Correio do Vouga, deixou a “política activa” em 2005, depois de ter sido ministro do Trabalho e da Solidariedade e ministro das Finanças. Actualmente, está a terminar um livro que incidirá mais sobre gestão, ética e políticas sociais e iniciou outro, de botânica, que em princípio terá o título “Árvores de Lisboa”.