Balanço de 2012 em dez assuntos principais na vida diocesana

Família. Até 20 de maio, com a realização da festa diocesana das famílias, no Colégio de Calvão, muito se falou da família, nem sempre com as desejadas consequências. Vivia-se a etapa pastoral dedicada à família, depois de outras dedicadas à caridade, à educação cristã e à liturgia. Nem sempre com as desejadas consequências porque, por exemplo, o Instituto Superior de Ciências Religiosas de Aveiro dedicou umas jornadas à família com reduzida participação (3 de março). E ainda porque se desconhece se desta área vai sair um plano pastoral como surgiram de outras.

Fruto indireto – ou não – da programação diocesana, no dia 29 de setembro um grupo de leigos promoveu um debate sobre os católicos em segundas núpcias. Muito participado. Sinal de que há uma dificuldade real a resolver, a dos católicos que não estão nem podem estar em comunhão completa com a Igreja devido ao recasamento.

Jovens. Em 2012, os jovens cristãos continuaram a proporcionar as maiores concentrações. Estiveram em força e muito ativos na Festa das Famílias (20 de maio, em Galvão), tendo realizado o festival da canção jovem na véspera para escolher a canção que haveria de representar a diocese de Aveiro no festival nacional, no final do ano.

Estiveram na festa regional do escutismo, em Águeda, no dia 29 de abril, mais de 2200. Alguns destes e outros participaram, no verão, no acampamento nacional, que teve como primeira responsável do campo dos lobitos uma dirigente de Esgueira. Assinale-se que o Bispo de Aveiro associou-se à grande festa do escutismo tendo passado umas noites no campo de Idanha-a-Nova.

Estiveram, mais de cinco mil, no encontro inter-escolas de Educação Moral e Religiosa Católica, no dia 4 de maio, em Estarreja. E, no dia 6, na Alameda de Universidade, foram cerca de mil os finalistas abençoados pelo Bispo de Aveiro.

Livros. Foi um ano de muitos lançamentos. Esperamos que também de boas leituras. Monsenhor João Gonçalves Gaspar apresentou três obras: “I República e Igreja Católica”, “Pio XII, defensor do homem” e a reedição da biografia de “Santa Joana”.

D. António Marcelino publicou um livrinho sobre as missões, o quarto volume de “A vida também se lê”, que reúne os seus textos publicados neste jornal, e um volume com os textos sobre o Concílio Vaticano II, saído no final do ano.

A catequista Ilda Pires lançou um livro de histórias – “metáforas”, como lhes chama – “A cobra e o Pirilampo”, enquanto P.e Manuel Armando publicou o segundo livro – de uma série de três – de poemas sobre as leituras dominicais, “Tempo comum no olhar da esperança”.

Instituições ligadas à diocese promoveram lançamentos de obras de carácter cristão como as Cartas de Teresa de Saldanha, a entrevista de Zita Seabra ao P.e Portocarrero de Almada ou um conjunto de ensaios sobre Jesus Cristo.

Obras. O ano terminou praticamente com a bênção das obras do lar de idosos e portadores de deficiência de Recardães, no dia 13 de dezembro, uma obra que engrandece o já rico leque de ofertas sociais da paróquia aguedense.

No dia 19 de maio, foi inaugurado o edifício da Fundação Cónego Filipe de Figueiredo, uma obra sonhada pelo padre natural de Estarreja (incardinado na arquidiocese de Évora), falecido em 2003. Ainda no que respeita a obras, foi inaugurada a renovação da Igreja de Frossos e estão em construção, pelo menos, o hospital de cuidados continuados do Centro Social Paroquial de Avanca, um edifício para o Centro Social Paroquial Maria da Glória (paróquia de Silva Escura) e o Centro Paroquial de Beduído, Estarreja.

Em 2012, no dia 25 de março, o Centro Universitário Fé e Cultura celebrou os 25 anos ao serviço da pastoral do ensino superior. No dia 29 de abril, o Centro Paroquial de Assistência de Pardilhó assinalou os seus 50 anos.

Ministros. Em 2012 não houve ordenações para o clero diocesano. Mas também não morreu nenhum padre ou diácono permanente. Cinco padres comemoraram as bodas de prata sacerdotais: Filipe Coelho, Luís Barbosa, Paulo Gandarinho e Rogério Oliveira, no dia 10 de maio; e Manuel Melo, em 22 novembro. Um padre, o primeiro ordenado por D. Manuel de Almeida Trindade, comemorou as bodas de ouro sacerdotais, Manuel António Carvalhais, no dia 30 de dezembro.

Registe-se a chegada dos Missionários Combonianos à freguesia de Calvão, onde abriram uma casa. O P.e Manuel Lopes Ribeiro, deste instituto que tem como nome oficial Missionários do Coração de Jesus, foi nomeado em agosto pároco das paróquias Covão do Lobo e de Santa Catarina, no arciprestado de Vagos. No primeiro domingo do Advento foram apresentados na Sé de Aveiro oito candidatos ao diaconado permanente.

Santos e festas. Todos os anos há festas que mostram a veneração do povo cristão pelos exemplos de seguimento fiel a Jesus Cristo, que é isso que os santos são. Como as festas se repetem em cada ano, só as mais significativas, como a da padroeira Santa Joana e uma ou outra de características peculiares (as cavacas de São Gonçalinho ou as que incluem uma procissão na Ria – Senhora dos Navegantes na Gafanha da Nazaré e Corpo de Deus na Torreira) saltam para as páginas do jornal. Para mais, as grandes festas populares são em agosto, quando este jornal vai de férias.

O ano de 2012 começou com a retoma de uma tradição adormecida há 55 anos: a festa de Santo Amaro, com procissão e bênção do mar, na Costa Nova. Mas em matéria devocional, o destaque vai para a visita das relíquias de D. João Bosco (1815-1888) a Mogofores e Ponte de Vagos, onde existem comunidades salesianas. Foi nos dias 9 e 10 de setembro. Venerou-se um homem “chamado a dar a sua vida a favor da educação da juventude”.

Bispo em Vagos. As visitas pastorais são sempre uma oportunidade para o Bispo conhecer pessoas, comunidades e dinamismos – ou falta deles – e para os cristãos conhecerem o seu pastor. “Quero ser presença demorada em cada paróquia, quero estar presente no meio do povo cristão, não de passagem nem como turista”, afirmou D. António Francisco aos jornalistas, em janeiro, antes de visitar a primeira das onze paróquias do arciprestado de Vagos.

A visita pastoral terminou no dia 28 de maio, segunda-feira de Pentecostes, com a tradicional peregrinação ao santuário de Santa Maria da Vagos, também com muita gente de Mira e Cantanhede.

Para perpetuar a visita, foram plantados 11 plátanos num círculo com cerca de 50 metros de diâmetro. “Daqui e 10 ou 15 anos, muitos de nós poderemos desfrutar de uma sombra nova”, afirmou o arcipreste e responsável pelo santuário.

Palavra do Bispo. Em 2012, D. António Francisco marcou presença nas páginas deste jornal, pelo seu próprio punho, e no sítio digital da diocese, entretanto renovado. Além das mensagens e comunicações habituais dos tempos litúrgicos (Advento, Natal, Quaresma, Páscoa) e de outros aspetos da vida cristã (como as aulas de Educação Moral e Religiosa Católica), D. António Francisco foi dando conta das obras da Casa Sacerdotal e apelou à generosidade para a construção do “santuário de gratidão” para padres e seus auxiliares.

É se salientar, no entanto, a presença mensal a propósito da Missão Jubilar. Começou no dia 7 de novembro, com uma saudação especial aos mensageiros das 101 paróquias com a missão de levar a cada família a mensagem que, escreveu, “Em nome de Deus e como voz da Igreja, vos confio”. Prosseguiu no dia 5 de dezembro: “Vamos fazer das nossas ruas e praças, lugares nodos e belos que Deus escolheu para nos falar”. E continua hoje (ver pág. 5).

Missão Jubilar. A segunda parte do ano foi já vivida ao ritmo da Missão Jubilar, que, como afirmou D. António Francisco numa entrevista, “não é apenas um conjunto de atividades, mas um espírito novo de sermos Igreja”. “Queremos dizer a todas as pessoas, sem esquecer ninguém, «bom dia, eu saúdo-te», «Deus ama-te», «grita pela paz, clama pela justiça», «esta é a hora» «vive esta hora»”, explicou o prelado.

A Missão começou por ser apresentada no Navio-Museu Santo André como sinal de que se quer pescar ao largo, atingir toda a comunidade. Seguiu-se o lançamento oficial, na Sé de Aveiro, no dia 21 de outubro. “Somos uma diocese em missão”.

Ainda é cedo para balanços, mas os estandartes nos edifícios da Igreja e nas casas das pessoas bem como as faixas com mensagens bíblicas parecem indicar que a missão está a ser assumida pelos cristãos. Estará a tocar em quem anda longe da Igreja?

Outras notícias. Outros assuntos mereceriam destaque, como a encenação da Paixão de Cristo levada a cabo pela paróquia da Palhaça (repete-se na quaresma de 2013? Agora é mais fácil), a conclusão das comemorações dos 400 anos da Igreja de São Bartolomeu de Veiros, as revistas da diocese (dois números da “Igreja Aveirense” e um da “Praxis” do ISCRA), ou a Casa Sacerdotal, de que se falou pouco nestas páginas porque a inauguração será em 2013.

Em 2012, os jovens foram a Taizé em busca de espiritualidade e partiram para as missões “para ajudarem e serem ajudados”. O arciprestado de Aveiro acolheu uma semana missionária. D. António Francisco criou o Gabinete de Imagem e Comunicação da Diocese de Aveiro. E no dia 29 de junho, alguém ateu fogo aos módulos onde a Cáritas diocesana desenvolvia ações em favor da comunidade cigana de Ervideiros. Este resumo da vida diocesana é necessariamente incompleto. Felizmente, a vida é maior do que as páginas de um jornal.