É a solução preconizada por certo articulista, para suster o capitalismo de estado para o qual corremos velozmente, se é que nele não nos movemos já em grave risco, como pântano voraz que mais nos engole cada vez que nos movimentamos para dele sair.
São pelo menos para reflectir os números: a Inglaterra, com sete vezes mais população que Portugal, gere-se com dois terços dos funcionários públicos – nós setecentos e cinquenta mil e eles quinhentos mil. E, na verdade, não consta que os serviços sejam menos eficientes do que os nossos. Acontece, isso sim, é que sectores como o da educação não estão, nem de perto nem de longe, no mesmo regime totalitário de monopólio (é insignificante dizer “quase”!) estatal como estamos nós.
Para sustentar esta máquina, não há outro meio senão ir buscar ao bolso dos portugueses os proventos necessários, pelas mais diversas vias, com os mais finos ardis. Aos bolsos dos mais sacrificados, porque são os pagadores “limpos”, isto é, a quem se limpa a quantia sem nem sequer lhes passar pelas mãos, ou que não têm outro remédio senão pagar os custos dos bens de que necessitam para sobreviver, incluindo os meios de transporte.
Que acontecerá àqueles cem mais ricos de Portugal, que detêm uma fatia substancial da riqueza nacional, face a um quinto da população que vive no limiar da pobreza? E sabe-se quem são esses ricos? E a proporção de imposto dessa riqueza não aliviaria a carga dos mesmos sacrificados de sempre?
Que vai ser a vida com o orçamento que se anuncia?… As promessas eleitorais do partido do governo esboroam-se como castelos de areia. Os mais pequenos continuarão a ser cada vez mais pequenos e uns tantos serão cada vez maiores, estenderão cada vez mais os tentáculos do seu poder económico, manietando o povo e os próprios governantes.
Uma drástica desestatização da vida pública – a tal banda gástrica – será o caminho para activar as energias sociais, permitindo também o desenvolvimento de uma economia social, que, sem “expropriar” os donos da riqueza, ponha efectivamente o benefício dela ao serviço do bem comum.
