No areal da Praia da Barra, entre o Molhe Sul e a Rua 4, máquinas e camiões andam num constante movimento de transporte e reposição de areias numa tentativa de restabelecer a normalidade após a recente investida do mar, e consequente erosão da praia, que chegou à duna e ameaçou destruir os passadiços e uma esplanada.
O Instituto da Água (INAG) espera ter a situação resolvida dentro de duas semanas, período necessário para repor cerca de 50.000 metros cúbicos de areia retirada do mar pelo processo de “ripagem”. Recoloca-se na praia a areia que o mar daí retirou nos primeiros dias de Fevereiro. Esta operação está orçada em cerca de 60.000 euros.
A conjugação de diversos factores climáticos (chuvas intensas e ventos fortes de sudoeste) e marítimos (ondulação forte de sudoeste, marés vivas e ocorrência de correntes imprevistas) esteve na origem da situação considerada anómala que afectou uma área da praia da Barra, habitualmente imune a situações de erosão marítima dessa gravidade. A área sul da Barra e a Costa Nova é que são as zonas de maior erosão costeira.
No próximo Verão, o INAG deverá voltar a intervir na Praia da Barra, para reforçar o cordão dunar. Será uma obra de grande envergadura, estando prevista a colocação de mais de um milhão de metros cúbicos de areia. Mais a sul, na Praia da Vagueira, o INAG vai recuperar o esporão e a defesa aderente.
Ambientalistas alertam para riscos costeiros
Na semana passada, Carlos Borrego, professor do Departamento de Ambiente e Ordenamento da Universidade de Aveiro voltou a defender o fim da construção naquela zona do litoral. Há muito que ambientalistas e investigadores universitários têm vindo a defender a diminuição da pressão humana e a proibição de construção no cordão dunar, de modo a minimizar os efeitos erosivos.
A par da erosão costeira provocada pela pressão imobili-ária, o litoral começa a sofrer as primeiras consequências das alterações climáticas, nomeadamente a ocorrência de eventos climatéricos extremos como ventos fortes e chuvas muito intensas (factores raros nos invernos anormalmente amenos dos últimos anos). Outra consequência previsível das alterações climáticas é a subida do nível do mar, o que no litoral aveirense poderá ser catastrófico, se não se forem tomadas medidas preventivas.
Cardoso Ferreira
