Barragem de Lourizela contestada por população e ambientalistas

População, câmara e ambientalistas estão unidos contra a construção da barragem no rio Lordelo, em Couto de Esteves.

A consulta pública referente ao impacto ambiental relativo ao aproveitamento hidroelétrico de Lourizela, no rio Lordelo (afluente do rio Vouga), na freguesia de Couto de Esteves, em Sever do Vouga, motivou alguns pareceres contra, nomeadamente da Câmara Municipal de Sever do Vouga, da Associação Ambientalista Quercus e da população local, para além de uma petição enviada à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da região Centro (CCDRC).

Considerando que no referido estudo “existem algumas falhas ou lapsos que podem deixar dúvidas a quem os lê ou analisa”, e que os efeitos desse aproveitamento podem ser cumulativos com os impactos da barragem de Ribeiradio / Ermida, a autarquia severense emitiu um parecer desfavorável sobre a construção do empreendimento, conforme documento assinado pelo vereador António Coutinho, datado de 6 de fevereiro de 2012.

A posição do executivo municipal foi baseada num extenso relatório elaborado pelos serviços técnicos da autarquia no qual foram analisados pormenorizadamente os diferentes impactos resultantes da construção da barragem / aproveitamento hidroelétrico, tanto a nível do ambiente e da paisagem, como no referente à produção de energia, sugerindo mesmo uma localização alternativa aproveitando um açude já existente naquele rio.

Para além dos impactos ambientais, paisagísticos e agrícolas, na petição enviada à CCDRC, subscrita por mais de quatro centenas de pessoas, também se denunciava a “afetação de um troço de dois km do rio com elevado potencial turístico – cascata da Agualva, pista natural de canyoning, trilhos pedestres da Agualva, Avideira e Vale da Mó e prática balnear”.

Depois de referir que o aproveitamento hidroelétrico de Lourizela “é mais um entre os mais de 800 empreendimentos hidroelétricos de média e pequena dimensão, construídos ou em construção que ocupam já 90% dos troços dos principais rios do país”, a Quercus considera que “estes empreendimentos, apelidados de baixo impacto, têm na verdade repercussões negativas significativas sobre os habitats e espécies, nomeadamente devido à alteração do regime de caudais e conectividade fluvial implicando numa redução populacional dos peixes, em especial espécies migradoras”.

O ruivaco, a boga e o bordalo são alguns dos peixes que serão afetados. Também a toupeira-de-água, espécie com o estatuto de conservação “vulnerável”, será atingida pela construção da barragem.

A Quercus alerta para “a necessidade de rever este projeto, de modo a que a produção elétrica não seja feita uma vez mais à custa da alienação do património natural”.

Cardoso Ferreira