Barragem de Ribeiradio-Ermida concluída no início de 2014

Aproveitamento hidroeléctrico vai gerar energia para 45 mil habitantes e criar condições para turismo.

A construção da Barragem Ribeiradio-Ermida deverá estar concluída no primeiro trimestre de 2014, contando que no próximo ano deverá começar a subir o paredão da construção. Quando entrar em funcionamento, a produção anual estimada de energia será suficiente para abastecer cerca de 45 mil habitantes, afirmou o administrador da EDP Produção, António Ferreira da Costa.

Durante a visita de trabalho às obras de construção da Barragem, organizada pela EDP no passado dia 2 de Setembro, e que contou com os eurodeputados eleitos pelo PS, Vital Moreira e Correia de Campos, o administrador Ferreira da Costa sublinhou que o projecto da barragem no Rio Vouga é esperado há décadas pelas populações e que até chegou a estar em execução pelo INAG – Instituto da Água. Diferente do primeiro projecto que estava delineado apenas para armazenamento de água, a actual obra tem como finalidade a produção de energia, bem como “a armazenagem de água, para abastecimento das populações, para irrigação e para fins agrícolas”. O administrador da EDP acrescentou que o projecto contempla ainda a criação de condições para o desenvolvimento regional, turístico e social, todavia, é necessário constituir “um plano de ordenamento da albufeira, que terá de ser emitido pelo Estado”.

O aproveitamento hidroeléctrico que está a ser construído no Rio Vouga, na zona que traça a fronteira entre o concelho de Sever do Vouga e o do Oliveira de Frades, vai custar 174 milhões de euros e é um empreendimento “único e irrepetível para o país”, nas palavras de Ferreira da Costa, dado que estão em curso e em simultâneo oito projectos (cinco de reforços de potência e três novas barragens), dos 12 que integram o plano de investimento na energia hídrica.

As metas traçadas, do ponto de vista do investimento na energia hídrica, vão contribuir muito para os objectivos a que Portugal, voluntariamente, se propôs junto dos parceiros europeus, ou seja, 31% da energia consumida em 2020 seja proveniente de fontes renováveis.

Conforme dizia Vital Moreira, eurodeputado do PS, “o plano hidroeléctrico é um enorme avanço no âmbito das energias renováveis” e o projecto está em consonância com as metas traçadas. Vital Moreira afirmou sentir-se orgulhoso ao ver avançar o projecto da “aposta nas energias renováveis e do aproveitamento do potencial hídrico”, dado que esteve envolvido nas decisões da EDP entre 2006 e 2008, que ditaram a aposta nas energias renováveis, designadamente na hídrica e eólica.

José Martins das Neves, director de projecto da EDP Produção, explicou todo o projecto com recurso a números, sublinhando que a potência instalada conjunta será de 77 MegaWatts e a produção será na ordem dos 130 GigaWatts/hora. Os trabalhos em curso estão a envolver neste momento 441 trabalhadores, dos quais 75 são da região, num total de 70 empresas, sendo que 10 são também da região.

O aproveitamento hidroeléctrico da Barragem Ribeiradio-Ermida é constituído por dois escalões: Ribeiradio e Ermida, sendo o primeiro o principal. As futuras albufeiras abrangem os concelhos de Oliveira de Frades, Sever do Vouga, Vale de Cambra e S. Pedro do Sul.

Ana Filipa Soares