Bento XVI alerta para perigos da secularização da Igreja

Bento XVI alertou para a secularização interna que a Igreja enfrenta. Na celebração que presidiu na Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, na quinta-feira passada, na Basílica de São João de Latrão, o Papa afirmou que a fé não pode ser dada como garantida.

“Mesmo dentro da Igreja enfrentamos o risco da secularização, que pode conduzir ao esvaziamento da Eucaristia, em celebrações vazias, sem a participação de coração pleno, que era expressa na adoração mas também no respeito litúrgico”.

Bento XVI alertou para a “tentação de reduzir a oração a momentos superficiais” e de deixar que as actividades e preocupações tomem conta dos sacerdotes. O Papa afirmou que as palavras “este é o meu corpo, este é o meu sangue”, tomadas do Evangelho de Marcos, “ressoam com notável poder evocativo ainda hoje”.

Ao afirmar “este é o meu sangue”, Jesus “apresenta-se como o verdadeiro e definitivo sacrifício, no qual se realiza a expiação dos pecados”. Com o acréscimo da expressão “o sangue da aliança”, Jesus “deixa claro que, graças a sua morte, finalmente se torna efectiva a aliança feita por Deus com seu povo”, explicou o Papa.

Foi durante a Última Ceia que definitivamente se deu a nova aliança, “não confirmada por sacrifícios de animais, mas com o seu sangue, tornado sangue da nova aliança”.

Bento XVI referiu que a Cruz “é mistério de amor e de salvação, que purifica a consciência da ‘opere morte’, isto é, do pecado, e santifica-nos, esculpindo a nova aliança em nossos corações; a Eucaristia, renovando o sacrifício da Cruz, faz-nos capazes de viver fielmente a comunhão com Deus.”