Missa pela América Latina, cujos países comemoram dois séculos de independência, deixou apelos contra a violência e a corrupção.
Bento XVI revelou a “intenção” de visitar o México e Cuba, em 2012, antes da Páscoa [8 de Abril], num anúncio feito durante a missa celebrada pelo bicentenário da independência dos países latino-americanos, no Vaticano, na segunda-feira.
O Papa disse na sua homilia que a viagem apostólica, terceira ao continente americano [Brasil (2007) e Estados Unidos da América (2008)], visa “proclamar a Palavra de Cristo” e reforça a “convicção de que este é um tempo precioso para evangelizar”, lembrando João Paulo II que, em 1983 e na América Latina, lançou pela primeira vez o “programa de uma nova evangelização”.
Bento XVI alertou para a defesa da “vida humana desde a sua concepção até ao seu fim natural” e à promoção da paz, para superar “a miséria, o analfabetismo e a corrupção” e “erradicar toda a injustiça, violência, criminalidade, insegurança urbana, narcotráfico e extorsão”. Para o Papa, é necessário “fomentar cada vez mais iniciativas concertadas e programas efectivos que proporcionem a reconciliação e a fraternidade, incrementem a solidariedade e o cuidado com o meio ambiente”. A homilia deixou ainda apelos a “tutelar a família na sua genuína natureza e missão”, intensificando, “ao mesmo tempo, uma vasta e capilar tarefa educativa que prepara rectamente as pessoas”.
A celebração, na basílica de São Pedro, promovida pelo Vaticano, associou-se às comemorações do bicentenário da independência dos países da América Latina, festejadas entre 2010 a 2014, com excepção do Peru e do Brasil (2020-2022). A missa contou com a presença do embaixador português junto da Santa Sé, Manuel Tomás Fernandes Pereira, que se uniu a responsáveis eclesiais e governamentais latino-americanos e caribenhos, para além de representantes de Espanha, EUA e Canadá.
Antes da celebração, os participantes estiveram reunidos num momento de oração, com reflexões sobre a Virgem de Guadalupe, cuja memória litúrgica se comemorou na segunda-feira, e sobre o bicentenário das independências, enquanto desfilavam, pelo corredor central da basílica de São Pedro, dois jovens de cada nação latino-americana levando a bandeira do seu país.
Bento XVI destacou os avanços no “caminho de integração” da América Latina, que lhe permite um “novo protagonismo emergente no contexto mundial”. “Nestas circunstâncias, é importante que os seus povos salvaguardem o rico tesouro de fé e o seu dinamismo histórico-cultural”, disse o Papa, que utilizou uma plataforma móvel para fazer o trajecto da procissão de entrada entre a sacristia e o altar central da basílica.
Ag. Ecclesia
