Bento XVI apela à compreensão do homem para além da ciência

O Papa criticou as “manipulações ideológicas” do ser humano num tempo marcado pelas seduções do avanço científico.

“Na nossa época, onde o desenvolvimento das ciências atrai e seduz pelas possibilidades oferecidas, é mais necessário do que nunca educar as consciências dos nossos contemporâneos, para que a ciência não se torne o critério do bem e o homem seja respeitado como o centro da criação, para que não seja objecto de manipulações ideológicas nem de decisões arbitrárias”, indicou.

O Papa falava aos participantes do Congresso académico “A identidade mutante do indivíduo”, promovido pela Academia das Ciências de Paris e a Academia Pontifícia das Ciências, noVaticano, no dia 28, segunda-feira.

O discurso papal alertou para os “abusos dos mais fortes sobre os mais fracos”, lembrando os acontecimentos do século XX.

Para Bento XVI, é preciso combater a “tentação” de querer “circunscrever totalmente a identidade do ser humano e de o fechar no saber que dele podemos ter”, por causa dos “prodigiosos avanços” nas ciências exactas, naturais e humanas.

“O homem está sempre para lá do que vemos e daquilo que percebemos pela experiência. Negligenciar o questionamento sobre o ser do homem leva, inevitavelmente, à recusa da busca da verdade objectiva sobre o ser na sua integralidade”, alertou.

O Papa considera que esta recusa leva “à incapacidade de reconhecer o fundamento sobre o qual repousa a dignidade de todo o homem, desde o período embrionário à morte natural”.

“No decorrer do vosso colóquio, fizestes a experiência de que as ciências, a filosofia e a teologia podem ajudar-se mutuamente a perceber a identidade do homem, que está sempre em devir”, acrescentou.

O Papa considerou que “o novo ser surgido da fusão celular” é portador “de um património genético novo e específico” perante o qual surgem elementos essenciais do “mistério do homem, marcado pela alteridade: ser criado por Deus, ser à imagem de Deus, ser amado e feito para amar”.

Ecclesia/CV