Bento XVI pede mudança global para eliminar a fiome

Papa marcou presença na Cimeira Mundial da Alimentação, a decorrer em Roma. “É preciso contestar o egoísmo que permite que a especulação penetre mesmo no mercado dos cereais”, disse

Bento XVI lançou esta segunda-feira, 16, em Roma, um apelo em favor do acesso “regular e adequado” à alimentação e à água de todas as pessoas do mundo, condenando a “especulação” que chegou ao mercado dos cereais.

O Papa marcou presença na Cimeira Mundial da Alimentação, encontro do Fundo da ONU para a agricultura e a alimentação (FAO), que junta mais de 60 chefes de Estado e de Governo para debater a fome do mundo. “É preciso contestar o egoísmo que permite que a especulação penetre mesmo no mercado dos cereais, colocando a comida no mesmo plano que todas as outras mercadorias”, afirmou.

Sublinhando a necessidade de “repensar os mecanismos de segurança alimentar” mundiais, o Papa sublinhou a importância de “uma consciência solidária que considere o direito à alimentação e o acesso à água como direitos universais de todos os seres humanos, sem distinções ou discriminações”. Bento XVI condenou o recurso a “certas formas de subsídios que perturbam gravemente o sector agrícola” e rejeitou perspectivas “míopes” sobre o mundo da ruralidade, visto por muitos como uma “realidade secundária”.

Admitindo que a comunidade internacional vive uma grave “crise económica”, o Papa alertou para o aumento do número de pessoas com fome e para o aumento do preço dos alimentos. Neste sentido, citou a sua última encíclica, Caritas in veritate, na qual escreveu que a “fome não depende tanto de uma escassez material, mas sobretudo da escassez de recursos sociais, o mais importante dos quais é de natureza institucional”.

Bento XVI sublinhou que, apesar das alterações climáticas, o planeta tem capacidade de alimentar “todos” os seus habitantes, no presente e no futuro.

A FAO estima que o número de pessoas com fome pode aumentar em 100 milhões, só em 2009, e ultrapassar a marca das mil milhões de pessoas. O Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas lançou um apelo inédito pela Internet, no qual pede a mil milhões de cidadãos dos países mais ricos que dêem um euro por semana para o combate à fome, o que será suficiente para alimentar outros mil milhões de pessoas nos países mais pobres.