O Papa pede a todos mais estima pelo sacramento da Penitência ou Confissão e convida os padres a passar mais tempo no confessionário.
Bento XVI manifestou a sua “preocupação” com a “falta de estima” pela Confissão, nome que designa o sacramento da Penitência ou Reconciliação, numa época marcada por “sinais claros” de desvanecimento da “consciência moral”.
A alusão ao sacramento durante a catequese dedicada a Afonso Maria de Ligório (1696-1787), na quarta-feira passada, foi feita no período mais marcadamente penitencial da Igreja católica, a Quaresma, que decorre até à Páscoa.
O santo italiano, cujos ensinamentos são “ainda de grande actualidade”, propôs “um rico ensinamento de teologia moral”, tendo sido proclamado patrono de todos os confessores e moralistas.
“Ao seu tempo tinha-se difundido uma interpretação muito rigorista da vida moral”, que “em vez de alimentar a confiança e a esperança na misericórdia” divina, “fomentava o medo e apresentava um rosto de Deus fechado e severo”, recordou Bento XVI.
Depois de salientar que Afonso de Ligório se distinguiu pela importância conferida “aos afectos e aos sentimentos do coração”, o Papa lembrou que o “insigne teólogo” insistiu na convicção de que “a santidade é acessível” a todos os cristãos.
Antes de se tornar padre e “mestre de vida espiritual para todos, sobretudo para as pessoas simples”, Afonso de Ligório obteve, com “apenas” 16 anos, o grau académico em direito civil e canónico.
Após tornar-se “o mais brilhante” advogado da comarca de Nápoles, onde durante oito anos ganhou “todas as causas” que defendeu, decidiu abandonar a profissão – e também “a riqueza e o sucesso” – para ser ordenado sacerdote, apesar da oposição do pai.
Os padres devem passar mais tempo no confessionário
No dia 25 de Março, num encontro promovido pela Penitenciaria Apostólica, da Santa Sé, Bento XVI convidou os padres a passarem mais tempo no confessionário. “A fiel e generosa disponibilidade dos sacerdotes para a escuta das confissões, a exemplo dos grandes santos da história, indica-nos a todos nós como o confessionário pode ser um lugar de santificação”, referiu.
Segundo Bento XVI, “a confissão íntegra dos pecados educa o penitente à humildade, ao reconhecimento da própria fragilidade, a ter consciência da necessidade do perdão de Deus e confiar que a graça divina pode transformar a vida”.
O Papa afirmou que num tempo “caracterizado pelo burburinho, as distracções e a solidão”, o encontro entre penitentes e confessores pode ser “uma das poucas, se não a única oportunidade para ser ouvido verdadeiramente e em profundidade”.
Nesse sentido, Bento XVI voltou a pedir aos padres que procurem encontrar “o espaço oportuno para o ministério da penitência no confessionário”, como “sinal humano de acolhimento e da bondade de Deus”.
C.V./Ecclesia
