Bento XVI deixou este segunda-feira um forte apelo contra a eutanásia, pedindo o respeito de “toda a sociedade” para com as pessoas em final de vida e as suas famílias, repetindo “a firme e constante condenação ética de qualquer forma de eutanásia directa”.
Para Bento XVI, nas grandes cidades em que cada vez há mais pessoas idosas e sós, “mesmo nos momentos de doença grave e na proximidade da morte”, as “pressões eutanásicas tornam-se cada vez mais pesadas, sobretudo quando se insinua uma visão utilarista em relação à pessoa”.
“Numa sociedade complexa, fortemente influenciada pelas dinâmicas da produtividade e pelas exigências da economia, as pessoas frágeis e as famílias mais pobres arriscam-se, nos momentos de dificuldade económica ou de doença, a serem esquecidas”, acusou.
Neste contexto, Bento XVI pediu que à imagem do que já acontece por ocasião do nascimento, as famílias tenham “direitos específicos” na fase terminal de um parente, para que os possam acompanhar mais de perto.
Citando a sua última encíclica, “Spe salvi”, o Papa frisou que “a medida da humanidade determina-se essencialmente na relação com o sofrimento e com aquele que sofre”.
“Uma sociedade que não consegue aceitar quem sofre e não é capaz de contribuir através da compaixão a fazer que o sofrimento seja partilhado é uma sociedade cruel e desumana”, atirou.
O Papa falava aos participantes do Congresso Internacional “Junto ao doente incurável e ao moribundo: orientações éticas e operativas”, promovido pela Academia Pontifícia para a Vida (APV), que hoje termina no Vaticano.
A Academia Pontifícia para a Vida foi instituída por João Paulo II em 11 de Fevereiro de 1994, com o Motu Proprio “Vitae Mysterium”. Tem como objectivo o estudo, a informação e a formação sobre os principais problemas de bioética e de direito, relativos à promoção e defesa da vida, sobretudo na relação directa que estes têm com a moral cristã e com as directivas do magistério da Igreja Católica.
