O relatório é apenas conhecido pelo Papa. Os resultados não serão divulgados e vão ficar à disposição do sucessor de Bento XVI.
Bento XVI recebeu na segunda-feira, no Vaticano, os três cardeais que redigiram, a seu pedido, um relatório sobre fugas de documentos reservados, que se mantém em segredo até à eleição do novo Papa.
D. Julián Herranz, D. Jozef Tomko e D. Salvatore De Giorgi, todos com mais de 80 anos, não podendo, portanto, participar no conclave, encontraram-se com o Papa em privado.
A Santa Sé anunciou em comunicado que os resultados do relatório elaborado por esta comissão, cujo conteúdo é conhecido “apenas” pelo próprio Papa, não serão divulgados e vão ficar à disposição do seu sucessor.
Bento XVI quis “agradecer o proveitoso trabalho” desta comissão cardinalícia e manifestar “satisfação pelos resultados desta investigação” que revelou, “para lá dos limites e imperfeições próprios da componente humana de qualquer instituição, a generosidade, retidão e dedicação de quantos trabalham na Santa Sé”.
Os cardeais que desenvolveram um “inquérito administrativo”, após a fuga de documentos reservados do Papa, o chamado caso “Vatileaks”, entregaram um relatório ao Papa no dia 27 de julho de 2012.
Pressão dos meios
de comunicação social
Este relatório esteve na base de uma polémica na semana passada. A revista italiana “Panorama” de 20 de fevereiro e diário “La Repubblica” do dia seguinte publicaram reportagens dizendo que Bento XVI renunciou ao pontificado por causa da corrupção e do “lobby gay”, no interior do Vaticano, denunciados no referido relatório de 300 páginas.
Respondendo a estas e outras situações, como a nomeação de um representante diplomático da Santa Sé para a Colômbia interpretada como castigo pela alegada implicação no Vatileaks, a Secretaria de Estado do Vaticano emitiu uma nota onde lamenta a onda de notícias “não confirmadas, não verificáveis e completamente falsas” postas em circulação nos últimos dias pela imprensa envolvendo “pessoas e instituições” da Santa Sé.
O dicastério liderado por D. Tarcísio Bertone recordou que “ao longo dos séculos, os cardeais eleitores foram alvo de diversas formas de pressão, que tinham como objetivo condicionar as decisões, segundo uma lógica política ou mundana”. “Se no passado essas pressões eram exercidas através de poderes como os Estados, hoje há uma tentativa de as realizar através da opinião pública, frequentemente com base em juízos que não captam o caráter espiritual do momento que a Igreja atravessa”, realça a Secretaria de Estado do Vaticano.
CV / Ecclesia
