Bento XVI traça retrato preocupante do mundo

Ecologia, desarmamento e crises internacionais entre as preocupações apresentadas ao corpo diplomático, no Vaticano

Bento XVI apelou na segunda-feira, 11, à defesa do ambiente e ao desarmamento nuclear, num encontro com o corpo diplomático acreditado no Vaticano, assinalando o início de um novo ano.

O Papa apresentou um retrato preocupante do mundo, com referência a “graves violências”, associadas aos “flagelos da pobreza e da fome e também às catástrofes naturais e à destruição do ambiente”.

Em particular, condenou as “resistências de ordem económica e política na luta contra a degradação do ambiente”, lembrando o fracasso da recente Cimeira de Copenhaga sobre as alterações climáticas.

Neste contexto, Bento XVI deixou votos de que “no decurso deste ano, primeiro em Bona e depois no México, seja possível chegar a um acordo para enfrentar de maneira eficaz esta questão”. “Trata-se de uma aposta tanto mais importante quanto em jogo está o próprio destino de algumas nações, nomeadamente alguns Estados insulares”, precisou.

O Papa afirmou que “a negação de Deus desfigura a liberdade da pessoa humana, mas devasta também a criação” e que “daqui resulta que a salvaguarda da criação não visa tanto responder a uma exigência estética, como sobretudo a uma exigência moral”.

Na linha de várias outras intervenções proferidas nos últimos meses, Bento XVI pediu que “esta atenção e este empenho pelo ambiente apareçam devidamente ordenados no conjunto dos grandes desafios que se colocam à humanidade” e criticou o “açambarcamento por alguns dos bens destinados a todos”.

Após lembrar a “crise dramática que atingiu a economia mundial, provocando uma instabilidade social grave e generalizada”, o Papa apontou o dedo às “raízes profundas desta situação”, que situou “numa mentalidade egoísta e materialista corrente, esquecida dos limites inerentes a toda a criatura”.

“Queria sublinhar ainda que a salvaguarda da criação implica uma gestão correcta dos recursos naturais dos países e, em primeiro lugar, daqueles que se encontram economicamente desfavorecidos”, afirmou Bento XVI.

Perante os diplomatas dos 178 Estados com quem a Santa Sé mantém relações diplomáticas, o Papa deplorou que “a produção e a exportação das armas contribuam para perpetuar conflitos e violências”, apelou à solidariedade internacional, especialmente nos casos de catástrofes, e congratulou-se com as “relações diplomáticas plenas”, estabelecidas há semanas, entre a Santa Sé e a Federação Russa.

Ecclesia / CV