Papa passou em revista a viagem que o levou à Jordânia, Israel e territórios palestinos
Bento XVI deixou um novo apelo à “paz duradoura” na Terra Santa, na quarta-feira, 20 de Maio, num encontro com peregrinos de todo o mundo em que apresentou um balanço da viagem que, de 8 a 15 de Maio, o levou à Jordânia, Israel e territórios palestinianos.
“Estou feliz por poder agradecer convosco a Deus pela visita à Terra Santa”, disse aos presentes, pedindo orações “para que esta visita sirva para o restabelecimento da paz duradoura naquela região”.
O Papa abordou os encontros mantidos com os presidentes da Israel e da Autoridade Palestiniana, admitindo que “naquela terra abençoada por Deus parece impossível, por vezes, sair da espiral da violência” e defendendo o papel das religiões na resolução do conflito.
Frisando ter viajado como “peregrino da paz”, Bento XVI disse que quis recordar a judeus, cristãos e muçulmanos o compromisso como fiéis num único Deus na promoção “do respeito, da reconciliação e da cooperação”, ao serviço da paz.
“Todos os crentes devem deixar para trás preconceitos e vontade de domínio, para praticar em conjunto o mandamento fundamental: amar a Deus com o próprio ser e amar o próximo como a nós mesmos”, indicou.
Bento XVI disse ter sido com esta intenção que visitou o Muro das Lamentações e a Mesquita da Cúpula da Rocha, em Jerusalém, “lugares simbólicos do judaísmo e do islão”.
A respeito da visita ao memorial do Yad Vashem, em honra das vítimas do Holocausto, o Papa pediu que “nunca seja esquecida a tremenda tragédia da Shoah”.
Quanto aos territórios palestinianos, que visitou há uma semana, Bento XVI considerou que Belém “é símbolo da distância que ainda nos separa” do anúncio de paz que os Evangelhos referem a respeito do nascimento de Jesus. Precariedade, isolamento, incerteza e pobreza foram problemas apontados.
O Papa falou ainda, de forma especial, das comunidades cristãs na região: “Apesar das vicissitudes que marcaram os lugares santos por tantos séculos; apesar das guerras, das destruições; e infelizmente, dos conflitos entre cristãos, a Igreja continuou com a sua missão, animada pelo Espírito do Senhor Ressuscitado”.
O que escreveu o Papa na folha que deixou no Muro das Lamentações?
Em inglês, no dia 12 de Maio, Bento XVI deixou a seguinte oração no Muro diante do qual também já João Paulo II rezara:
“Deus de todos os tempos,
Na minha visita a Jerusalém, a “Cidade da Paz”, morada espiritual para judeus, cristãos e muçulmanos, apresento-te as alegrias, as esperanças e as aspirações, as angústias, os sofrimentos e as dores do teu povo espalhado pelo mundo.
Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob,
Escuta o grito dos aflitos, dos atemorizados e despojados;
Envia a tua paz sobre esta Terra santa, sobre o Médio Oriente, sobre toda a família humana;
Acorda o coração de todos os que invocam o teu nome, para caminhar com humildade pela senda da justiça e da compaixão.
“O senhor é bom para os que nele confiam, para a alma que o procura” (Lm 3,25).
