Perante uma pequena multidão de fiéis presentes no pátio do Palácio pontifício de Castelgandolfo, Bento XVI recordou, no domingo passado, o cinquentenário da Agencia Internacional para a Energia Atómica, o organismo da ONU que vigia contra a proliferação das armas nucleares.
“Celebra-se hoje o 50º aniversário da entrada em vigor do Estatuto da AIEA –a Agência Internacional para a Energia Atómica, instituída com o mandato de aumentar o contributo da energia atómica para as causas da paz, da saúde e da prosperidade no mundo inteiro. A Santa Sé, aprovando plenamente as finalidades de tal organismo, é seu membro desde a sua fundação e continua a sustentar a sua actividade. As mudanças verificadas nos últimos 50 anos evidenciam as dificuldades que a humanidade atravessa. É cada vez mais actual e urgente o encorajamento à não proliferação de armas nucleares, a promoção de um progressivo e concordado desarmamento nuclear e favorecer o uso pacífico e seguro da tecnologia nuclear para um desenvolvimento autêntico, respeitoso do ambiente e sempre atento às populações mais prejudicadas”, afirmou Bento XVI.
O Papa sublinhou ainda a importância dos esforços dos que trabalham para fazer com que os recursos poupados possam ser destinados para projectos de desenvolvimento em benefício de todos os habitantes e, em primeiro lugar, dos mais pobres.
“A corrida aos armamentos deve ser substituída pelo esforço comum de mobilizar os recursos para objectivos de desenvolvimento moral, cultural e económico, definindo de novo as prioridades e escalas de valores”, alertou. Bento XVI não quis esquecer ainda os reféns coreanos no Afeganistão, salientando que entre os grupos armados se vai difundindo a praxe de instrumentalizar pessoas inocentes para reivindicar fins de parte.
“Trata-se de graves violações da dignidade humana, que contrastam com todas as normas elementares de civilização e de direito, e ofendem gravemente a lei divina. Dirijo o meu apelo para que os autores de tais actos criminais desistiam do mal feito e libertem as vítimas”, proclamou o Papa.
