Biblioteca da UA recebe exposição de arte aborígene

Hoje, pelas 17 horas, na Sala de Exposições da Biblioteca da Universidade de Aveiro UA) vai ser inaugurada a mostra intitulada “Gravura Aborígene Australiana”, que ficará patente até 5 de Novembro, evento que contará com a presença do Embaixador da Austrália em Portugal, Patrick Lawless.

Esta exposição é composta por 14 quadros de três artistas indígenas (Alick Tipoti, Dennis Nona e Victor Motlop), alguns cartazes produzidos pelo Museu Oriente, fotografias sobre as ilhas do Estreito de Torres (região natal dos artistas) e o texto emoldurado da “Apology to Australia’s Indigenous Peoples”, um discurso reconhecendo os erros praticados por sucessivos governos australianos contra os povos indígenas, proferido pelo Primeiro Ministro australiano Kevin Rudd, no parlamento, em Fevereiro de 2008

A arte aborígene baseia-se em histórias e tradições sobre a criação do mundo, segundo as quais os criadores ancestrais teriam criado as pessoas, a flora, a fauna, as massas terrestres e os corpos celestiais ao longo de viagens épicas. O sistema de convicções dos aborígenes é mantido vivo através de práticas cerimoniais, que guiam e ditam costumes e leis, ao mesmo tempo que reafirmam crenças espirituais. Este conceito é denominado por “Sonho” (“the Dreaming”). Este sistema de convicções tem como base a interdependência entre a terra e os seus povos.

Ao invés de muita da arte ocidental, a arte aborígene não é concebida a partir de um tema perceptível, não se aplicando tão-pouco a noção ocidental de estética, nem a do desejo do artista de comunicar emoções, pensamentos, observações ou comentários de uma forma altamente individual. Segundo a lei aborígene, um artista apenas está autorizado a retratar as imagens e histórias às quais tem direito pelo nascimento.

Para alguns, o importante é a história na origem do trabalho, para outros, o que predomina é o impacto visual da obra. É esta combinação de um forte sentido pictórico, uso apurado da cor ou textura de uma superfície, relação espacial alicerçada numa ligação intangível porém omnipresente com a terra, os criadores e suas histórias, e os direitos e interacção do artista a/com tudo isto, que dão à arte aborígene uma qualidade e poder únicos.