Bicentenário das Invasões Francesas na região

“Campanha de Entre Douro e Vouga” foi há duzentos anos. Exposição em Válega relembra-a

Ocorre amanhã o segundo centenário da chegada das tropas anglo-lusas à margem do rio Vouga, na zona entre Eixo e Águeda, onde se mantiveram durante mais de um mês para impedir o avanço dos invasores franceses.

Após a batalha ocorrida no dia 17 de Abril de 1809, que impediu o avanço dos franceses para sul do rio Vouga, o exército anglo-luso foi reforçado, no dia 9 de Maio, com os militares comandados por Wellesley. Nesse mesmo dia, em Mogofores, uma divisão comandada pelo major-general Rowland Hill separou-se do Corpo Expedicionário e chegou a Aveiro, de onde seguiu pela ria até Ovar. As autoridades de Aveiro aprontaram 130 barcos para aquele oficial inglês transportar os seus homens, os quais desembarcaram em Ovar na manhã de 10 de Maio.

Na madrugada de 10 de Maio, os franceses foram defrontados e derrotados na gandra, entre Albergaria-a-Velha e Albergaria-a-Nova, pelo que recuaram para Pinheiro da Bemposta e daí para Oliveira de Azeméis, prosseguindo até Grijó, onde ocorreu novo confronto, que ditou o recuou francês para o Porto.

Acontecimentos expostos em Válega

No Museu Etnográfico de Válega (Ovar) está patente a exposição intitulada “Bicentenário das Invasões Francesas a Portugal – A Campanha de Entre Douro e Vouga (1809)”, que mostra um pouco do que aconteceu durante esses primeiros meses de 1809, sobretudo em Abril.

A exposição apresenta “cartazes” formativos e informativos sobre alguns temas específicos, como o “Morticínio da Arrifana”, ocorrido a 12 de Abril, quando as tropas francesas, sob a responsabilidade directa do general Thomiers, massacraram um considerável número de habitantes daquela freguesia, situada muito próximo do local onde o general Soult tinha instalado as suas tropas. Outro cartaz mostra algumas das “Pratas da Confraria dos Passos”, de Ovar, que escaparam à pilhagem dos franceses, enquanto outro relata como foram apagadas as quinas do brasão da Câmara de Ovar. A Tragédia ocorrida na Ponte das Barcas está descrita num outro cartaz, o mesmo se passando com os principais eventos da Campanha de Entre Douro e Vouga, nomeadamente a derrota dos franceses nas margens do rio Vouga, ocorrida no dia 17 de Abril, dia em que os voluntários académicos comandados pelo lente Fernando Saraiva Fragoso de Vasconcelos travou o avanço do exército francês, impedindo a sua passagem para a margem esquerda do Vouga, numa zona entre Eixo e Águeda. Nesta última localidade estava sedeado o quartel do general inglês Trant, que, juntamente com outras tropas portuguesas, reforçaram a resistência dos académicos portugueses, impondo uma pesada derrota aos franceses.

A exposição apresenta ainda diversas armas e moedas dessa época, bem como cartazes sobre o armamento e os fardamentos então usados pelos beligerantes, e ainda duas gravuras oriundas do Arquivo do Museu Militar.

Mais comemorações em perspectiva

Com o objectivo de se organizar um programa comemorativo do Bicentenário da Guerra Peninsular (vulgarmente designada por “Invasões Francesas”), o Governador Civil de Aveiro, Filipe Neto Brandão, recebeu em audiência o Major General Maia de Mascarenhas e os Comandantes do Regimento de Engenharia N.º 3 (Espinho) e do Regimento de Infantaria N.º 10 (S. Jacinto), em representação do Exército Português, encontro que também serviu para dar a conhecer os elementos históricos que presidem a esta comemoração, sobretudo no que se refere ao âmbito territorial do distrito de Aveiro, nomeadamente com a “Campanha Entre Douro e Vouga” e da importância que vários municípios do distrito assumiram na luta contra as tropas francesas durante a Segunda Invasão Francesa.

Cardoso Ferreira