Biodiversidade botânica na cidade de Aveiro

No Ano Internacional da Biodiversidade, que está a decorrer, Aveiro poderá contribuir com alguns estudos sobre biodiversidade urbana em dois tipos diferentes de ambiente: húmido e vegetação espontânea.

A zona situada junto ao Canal do Cojo, anteriormente ocupada por antigas unidades industriais, sobretudo de cerâmica e de carpintaria, está agora revestida por uma vegetação espontânea constituída por uma grande diversidade de espécies, algumas das quais já com porte arbustivo. Este espaço, por estar nesta situação de “selva urbana” há cerca de uma década, é um bom “laboratório” para se estudar no terreno a evolução da vegetação local, as origens locais dessa flora e a selecção natural que aqui estará em curso. Igualmente, seria interessante estudar a fauna (espécies e sua evolução) que se acolhe nessa vegetação.

A zona húmida envolvente ao Esteiro de S. Pedro, em pleno campus da Universidade de Aveiro, é um habitat húmido raro numa cidade, não só pelas suas características naturais e pelas dimensões que apresenta, mas, sobretudo, pela quase inexistência de intervenção humana, uma vez que as cidades tendem a intervir requalificando as zonas envolventes dos seus cursos de água.

A diversidade botânica e faunistica desta zona húmida que se alarga para as marinhas de sal situadas junto à “foz” do esteiro, pode proporcionar estudos interessantes sobre biodiversidade na cidade de Aveiro.

Mesmo em termos paisagísticos, vale bem a pena atravessar a longa ponte pedonal que une os dois sectores do campus universitário.

Cardoso Ferreira