Bispo de Aveiro apela à renovação do Monte e de Pardelhas

D. António Francisco concluiu a visita pastoral às paróquias do Monte, no sábado, e de Pardelhas, no Domingo, depois de uma semana intensa de contactos com os membros mais activos das comunidades, os doentes em suas casas, as crianças e jovens da catequese, os idosos.

Em ambas as paróquias, nas Eucaristias conclusivas, o Bispo de Aveiro teve grandes palavras de agradecimento pelo acolhimento, crismou jovens e exortou-os ao compromisso apostólico, lembrou que as paróquias são de criação recente (a do Monte foi criada em 1932 e a de Pardelhas em 1939 – a primeira após a restauração da Diocese), recordou os “filhos desta(s) terra(s) dispersos pelo mundo”, isto é, os emigrantes, e comparou a sua visita pastoral à mudança de Jesus de Nazaré para Cafarnaum, como relatava o Evangelho desse Domingo. “Assim como Jesus mudou de Nazaré para Cafarnaum (…) e criou uma escola de discípulos, o Bispo é enviado por Deus a mudar de terra, a percorrer os caminhos do povo, a visitar os doentes, a colher as lágrimas de choro, a partilhar as alegrias da comunidade (…), a criar escola de comunhão. (…) Não é esse o sentido da visita pastoral?”

Mas D. António Francisco deixou igualmente mensagens particulares a cada uma das comunidades.

No Monte, valorizou a transmissão da fé às crianças e aos jovens, pedindo que os pais e catequistas invistam mais, porque tal atitude “renova a fé dos adultos e faz sentir que a comunidade tem futuro”; disse que é preciso “promover as vocações”, numa terra que “deu abundantes vocações no passado” (antes, lembrara o que P.e Nicolau Barroqueiro é natural do Monte); pediu “caridade cristã para com os que passam provação” ou estão sós; e pediu para “manter com os emigrantes o elo de comunhão”, para que sintam a “ligação à Igreja e à comunidade onde foram baptizados”.

Em Pardelhas, D. António, notando que é uma comunidade muito participante nas iniciativas da Igreja diocesana, pediu que intensifique o esforço pastoral na catequese e na renovação litúrgica; dê continuidade ao trabalho pastoral com as famílias jovens; promova nos leigos a consciência da corresponsabilidade (“ninguém está à margem da Igreja”); e faça do Domingo “o dia do Senhor, da família e da comunidade”, o dia em que se habita o templo, onde se encontra “alimento, reconciliação e partilha”.

Após a pausa do Carnaval, a visita pastoral prossegue no Bunheiro.

“A Visita foi um estímulo e uma alegria”

Correio do Vouga – Que balanço faz, após a visita do Bispo de Aveiro às comunidades do Monte e de Pardelhas, de que o Sr. é pároco (além da Murtosa)?

P.e António Cruz – Eu, pessoalmente, senti-me muito feliz, porque a presença do Sr. Bispo dá-nos ânimo e coragem. Senti-me mais próximo, mais unido, mais Igreja. Para as comunidades, penso que foi um estímulo e uma alegria. As comunidades acolheram com entusiasmo e simpatia o Sr. Bispo.

Monte e Pardelhas acolheram de maneira diferente?

Penso que em ambas as paróquias houve o mesmo entusiasmo e abertura.

O Bispo de Aveiro falou do Centro Paroquial nestas duas terras. Quer falar-nos sobre o andamento destas estruturas?

O do Monte foi inaugurado há dois anos. Tem dez salas para reuniões e um salão para convívios, teatro e outras festas. O Sr. Bispo falou em dar-lhe mais actividade. Em Pardelhas, temos um centro paroquial que tem cinco salas, um salão para festas e uma cozinha, tudo isto para o serviço pastoral. Esperamos inaugurá-lo ainda este ano. Estava orçamentado em 150 mil contos (750 mil euros), mas a maior parte do trabalho foi feito por uma equipa de voluntários.

O Sr. Bispo sublinhou a necessidade de renovação paroquial e o apoio aos emigrantes…

Sim. Embora os emigrantes não perdessem a ligação à terra, as gerações mais novas vão ter mais dificuldade em regressar, até porque, com a desvalorização do dólar, não compensa economicamente regressar. A questão da emigração é importante porque, dos 20-30 aos 60 anos, a maior parte da população está fora. Há um vazio na geração dos 20-40 anos. Temos pouca indústria para dar trabalho. Temos alguma pesca e agricultura. Temos comunidades envelhecidas porque o centro activo não está cá.

O Sr. Bispo apelou à renovação pastoral. Na sua visão de pastor destas comunidades, o que é mais urgente nessa renovação cristã?

Em primeiro lugar, precisamos de um aspecto que o Sr. Bispo focou, que é exactamente a união: todos nos unirmos e todos colaborarmos com as qualidades que temos. Os movimentos e grupos não podem estar à espera do padre. Têm de descobrir os dinamismos próprios e avançar por si mesmos.

Por outro lado, penso que temos uma grande lacuna no acompanhamento dos filhos pelos pais. A gente nova que se dedica à pesca, por exemplo, não tem horários, deixando os filhos entregues a si próprios. Isto é muito prejudicial. É sempre muito importante que os pais acompanhem os filhos, e ainda mais na educação cristã.