Bispo de Aveiro: “Estou em comunhão agradecida com o Santo Padre”

D. António Francisco realça “gesto histórico e profético, que vai iluminar decisivamente o futuro da Igreja”.

Bento XVI comunicou na segunda-feira, 11 de fevereiro, a sua decisão de renunciar ao papado a partir de 28 de fevereiro. A decisão apanhou todos de surpresa. “Santidade, amado e venerado sucessor de Pedro, a sua mensagem cai entre nós como um raio em céu sereno”, afirmou na ocasião o cardeal Angelo Sodano. À medida que a decisão foi interiorizada por crentes e não crentes, ressaltou o caracter profético do gesto. Ou revolucionário, como alguns preferem.

Na celebração de Quarta-feira de Cinzas, no dia 13, o Bispo de Aveiro agradeceu a “inexcedível coragem, dedicação e zelo apostólico” de Bento XVI e afirmou que acolherá com “renovada alegria e intensa comunhão o novo Sucessor de Pedro, que o Espírito vai conceder à Igreja”.

“Quero que a minha primeira palavra nesta Sé de Aveiro, Igreja Mãe da Diocese, seja de comunhão agradecida com o Santo Padre Bento XVI. Merece-nos respeito sagrado a sua decisão de renunciar ao ministério apostólico de Sucessor de Pedro. É uma decisão que lhe pertence por direito próprio, tomada diante de Deus, com plena consciência e em inteira liberdade, depois de longa oração e aprofundada reflexão. Fê-lo por amor à Igreja e para abrir caminho novo ao vigor do anúncio do evangelho”, afirmou D. António Francisco.

O prelado lembrou que foi este Papa que o chamou para servir a Igreja de Aveiro e disse que nunca se esquecerá da forma “cordial, fraterna e incentivadora” como foi recebido nos vários encontros que teve com ele, concretamente na hora em que se tornava pública a nomeação como Bispo de Aveiro, a 21 de setembro de 2006, e na “visita ad limina”, em novembro de 2007 (ver página 13).

D. António Francisco realçou as qualidades do Papa que a partir do último dia do mês se retirará para uma vida de oração e estudo, primeiro na residência de verão de Castel Gandolfo e depois num convento dentro do Vaticano. “A verdade, a humildade e a coragem manifestadas nesta sua decisão dizem-nos da sua grandeza de coração e do seu discernimento de inteligência, ao sentir as suas forças humanas a diminuir e ao analisar as atuais circunstâncias da vida do mundo e da missão da Igreja. Revelam igualmente uma grande determinação e constituem um gesto histórico e profético, que vai iluminar decisivamente o futuro da Igreja, como Povo de Deus animado e conduzido pelo Espírito Santo e que tem Jesus Cristo como seu Supremo Pastor”, afirmou.

Serviço à Igreja continua

No primeiro domingo da Quaresma, o Bispo de Aveiro convidou a acompanhar Bento XVI “com particular afeto nesta hora” e realçou o novo ministério de Joseph Ratzinger: “O serviço apostólico que vai prestar no silêncio contemplativo da clausura que, a partir de agora é tão importante e necessário para a Igreja como aquele que sempre prestou em tantas, corajosas e diversificadas frentes de missão e dá-lhe nova unidade e beleza”.

J.P.F.