Bispo de Aveiro recorda lutas travadas pelo ISCRA

Nas celebrações do 15º aniversário do ISCRA (Instituto Superior de Ciências Religiosas de Aveiro), que ocorreram no sábado, D. António Marcelino recordou as preocupações e lutas travadas até chegar ao patamar do reconhecimento público e oficial, que leva aquele instituto a fazer parte da lista das 32 novas escolas superiores, incluída no documento “Acção de Governação 2002-2006”. O processo está em curso e há a garantia de que, dada a inovação proposta e o âmbito real de abrangência do ISCRA, “o Ministério está interessado em despachar favoravelmente este projecto, de modo a que o possamos implementar dentro dos dois próximos anos”, informou a doutora Deolinda Serralheiro, directora do instituto.

Congratulando-se com essa eventual decisão do Ministério da Ciência e do Ensino Superior, o nosso Bispo não deixou de referir que não é importante que veja o resultado desta preocupação e de luta, porque “o importante é que este resultado surja com a vocação de ser uma boa proposta eclesial a ajuntar a outras existentes, não com o sinal de concorrência, mas de maior possibilidade de acesso a muitos que dele queiram aproveitar”.

Referiu que estamos perante “uma experiência espiritual e pastoral que gostava que fosse partilhada por muitos”, lembrando que, perante o que faz falta, “nunca se pode desistir”. E acrescentou que “é preciso que a fé comande o sonho e a vida”, com paciência, com coragem e com determinação, sempre “na procura e na atenção às possibilidades que se vão deparando nos caminhos da luta”.

O nosso bispo reconheceu que estes 15 anos não foram fáceis, frisando que as dificuldades foram sendo superadas “pela dedicação de muitos e porque foram anos de fé activa e generosa”, mas ainda “de desafio a uma forte experiência espiritual” e de “compreensão profunda de que o crescimento da Igreja Diocesana, não dispensando o Bispo, é fruto de comunhão e da unidade dos carismas com que o Espírito a dotou e a enriqueceu”.

Deolinda Serralheiro, ao fazer uma resenha do que aconteceu de mais importante no último ano, sublinhou a publicação do primeiro número da revista científica PRAXIS, da criação do Prémio D. Antó-nio Marcelino para o melhor aluno ou aluna, da informatização e ampliação da Biblioteca, graças a subsídios da Fundação Calouste Gulbenkian e a ofertas do nosso bispo e outras, com base em bibliotecas privadas de padres da diocese, já falecidos.

A directora do ISCRA enalteceu os graus académicos alcançados por professores e alunos, 36 dos quais receberam os seus diplomas do Plano de Formação Sistemática. E como “o sonho comanda a vida e o futuro do ISCRA só pode ser concretizado com a colaboração de mais pessoas qualificadas nas diferentes áreas científicas”, a doutora Deolinda valorizou a presença do prof. doutor Alte da Veiga, da Universidade do Minho, e da prof. doutora e escultora Clara Menéres, da Universidade de Évora, que aceitaram o convite para integrar o Concelho Científico do instituto aveirense, onde actuarão dentro das suas respectivas competências.

A propósito da revista PRAXIS, o dr. Luís Silva, que a apresentou, referiu que esta publicação semestral será “reflexo do que pensam os alunos e alunas”, mas também do “desejo de Deus numa sociedade de desejos”. A PRAXIS propõe-se projectar os desafios “de uma sociedade marcada pelas novas tecnologias”, indicando “uma infinidade de desafios” próprios de uma Igreja e de uma sociedade “em peregrinar constante”. Ainda projecta o “messianismo bíblico de Lucas” e o “messianismo gnóstico, entre o reino e a redenção”, bem como a alegria, sempre com a preocupação de “atrair para chegar mais longe”.

O Prémio D. António Marcelino, apresentado pela dra. Cristina Ribau, propõe-se distinguir, anualmente, o aluno com melhor média ou o que contribuir com mais destaque na investigação e reflexão, na colaboração da revista PRAXIS, em actividades de voluntariado ou, ainda, na participação e divulgação de acções do ISCRA.

ISCRA em exposição

Até ao fim do mês, está patente ao público, no claustro do Seminário de Santa Joana Princesa, junto às instalações do ISCRA, uma exposição que pretende recordar os melhores momentos desta escola superior. Pretende, também, dar a conhecer, entre outras coisas, as iniciativas mais importantes realizadas até à data.