Vários bispos portugueses assinalaram o início do novo ano com alertas contra a discriminação da dimensão religiosa na esfera pública, criticando mesmo o que classificam como “campanhas” contra a Igreja.
No Porto, D. Manuel Clemente apontou o dedo a “ideologias redutoras ou impositivas, como seria o caso do laicismo ou do fundamentalismo religioso”.
“Trata-se de servir pessoas concretas, habilitando-as para a escolha consciente e responsável; não se trata de governar as pessoas contra elas próprias, escolhendo por elas e até antes delas o que houvessem de crer e fazer”, disse, numa homilia proferida a 1 de Janeiro.
Citando a mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz, D. Manuel Clemente considerou que “o fundamentalismo religioso e o laicismo são formas reverberadas e extremas da rejeição do legítimo pluralismo e do princípio da laicidade”.
“As contrafacções da religião não se corrigem com a ausência dela, mas sempre e só com melhor religião”, referiu ainda.
Para o bispo do Funchal, D. António Carrilho, assiste-se no país a “uma subtil campanha contra a religião católica, não só com perseguições e consequentes perdas de vidas humanas, mas também contra os símbolos que recordam os mistérios da nossa fé”.
“Infelizmente, não falta quem, para defender ideologias agnósticas e ateias, se sirva das suas posições de influência, para lançar campanhas difamatórias, contra a Religião e a Igreja, sem o respeito devido à liberdade de consciência e às convicções religiosas próprias de cada um”, lamentou, na intervenção proferida por ocasião da Missa de final de ano, no último dia 31 de Dezembro.
O bispo de Aveiro, D. António Francisco dos Santos, disse na sua homilia de ano novo ser necessário “vencer todas a tentações de fundamentalismos radicais ou de hostilidades agressivas que ponham em risco, em formas extremas, o diálogo entre as instituições civis e religiosas”.
D. Manuel Quintas, bispo do Algarve, alertou, por sua vez, para a actual situação de crise económica, sublinhando que para a vencer “não são suficientes medidas emergentes” como a do Fundo Social Diocesano.
Ecclesia / CV
