AGÊNCIA ECCLESIA
Jornadas Pastorais centradas no ministério episcopal e a sua relação com o mundo da comunicação
Os bispos portugueses receberam formação na arte de presidir e de comunicar, porque o século XXI “exige qualidade estética”, afirmou D. Carlos Azevedo, Secretário da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), à Agência Ecclesia.
De 18 a 21 de Junho, realizaram-se, em Fátima, as Jornadas Pastorais do Episcopado, subordinadas ao tema: “O ministério do Bispo e a arte de presidir e de comunicar”. Com esta iniciativa, demonstrou-se o “reconhecimento da necessidade de formação numa área onde houve um descuido” – referiu o Secretário da CEP.
Os especialistas – teóricos e práticos – ajudaram os presentes a enquadrarem-se “dentro da área da Comunicação Social”. E acrescenta: “Ajudaram-nos a perceber as exigências e os critérios da Televisão, Rádio e dos restantes órgãos”, porque os critérios da Comunicação Social “não são aqueles a que estamos habituados”.
Os lamentos são frequentes. Muitas vezes, os bispos “queixam-se que a Comunicação Social não está preparada para nos questionar e não está por dentro dos mecanismos da Igreja”.
“Mas também acontece o contrário: nós não estamos preparados para entender os mecanismos da Comunicação Social” – sublinha D. Carlos Azevedo. Em relação à comunicação dentro da própria Igreja, o secretário da CEP realça que esta, “muitas vezes, não funciona”.
O conteúdo e a mensagem da Igreja “tem valor e é muito rico”, mas “necessitamos de novas formas de cuidar do embrulho”. A forma é fundamental na “transmissão da fé” – frisou. Ao olhar para as celebrações, D. Carlos Azevedo nota que as “músicas são de fraca qualidade e os nossos gestos não têm beleza”. E avança: “A beleza também fala de Deus”. Depois de ouvir os conselhos dos oradores, o secretário da CEP afirma que as “homilias têm que ser muito bem preparadas e pensadas para que a mensagem passe”. Até, os improvisos têm que ser “muito bem preparados”.
Espanhóis muito à frente
Aos presidentes das celebrações falta “dotes de comunicadores”, porque se deixou de ensinar “eloquência oratória nos seminários”. Como os fiéis “são inteligentes”, muitas vezes andam à procura, “de igreja em igreja, de uma celebração que tenha dignidade estética e beleza formal”. As pessoas não vão às celebrações por “mera rotina,” mas porque querem “sair de lá com alguma esperança e renovação espiritual”. E avança: “fomos aconselhados pelos oradores que comunicar «exige muito trabalho»”.
Quando questionado se o Evangelho necessita de embrulhos, D. Carlos Azevedo realça que “não adianta estarmos a dizer verdades muitos interessantes quando as pessoas estão distraídas”. Uma homilia que tenha “mais de dez minutos sujeita-se a não ser assimilada”. E acrescenta: “É preciso saber como captar a atenção dos fiéis”.
Como vários oradores do país vizinho, o secretário da CEP afirma que, em quase todos os aspectos da vida da Igreja, os espanhóis “vão a léguas de nós” visto que “têm uma grande tradição teológica”. E conclui: “Andamos muito na rotina”, mas “temos recebido vários avisos – decréscimo das vocações, diminuição da prática dominical e abandono dos jovens da igreja”.
